Presidentes de Juntas de Freguesia da cidade de Ponta Delgada pedem intervenção urgente no combate ao aumento da toxicodependência e da insegurança

Iniciando a nossa ronda pela freguesia de Santa Clara, António Cabral responde sem hesitações; “a situação também é grave em Santa Clara”.
O Presidente da Junta de Freguesia refere que “infelizmente, quando a Associação Novo Dia foi para a Rua Domingos Rebelo muitas pessoas começaram a queixar-se de mau estar. São pessoas que vão lá dormir e durante o dia estão ali nas redondezas. Não há ocupação para eles e durante esse período eles estão por ali e provocam alguns desacatos, inclusivamente, tem havido algumas brigas entre eles”.
António Cabral refere que “esta é uma situação preocupante” e revela que já recorreu “a entidades superiores no sentido de tentarmos resolver esta situação”.
“Não temos sentido muitos problemas ao nível de assaltos é mais no mau estar e provocação das pessoas. As pessoas têm medo de sair à rua e quem tem crianças sente medo de as levar, por exemplo, a um mini-mercado que se encontra próximo desse Centro”, salienta.
O Autarca revela mesmo que “recebemos uma queixa de moradores quase diariamente” e entende que seria “importante arranjar ocupação para essas pessoas para que não permanecem na via publica a incomodar os residentes”.
Perante o crescimento indesmentível deste problema, António Cabral considera “imperioso que o Governo ponha mãos nesta situação porque este não é um problema exclusivo de Santa Clara, é das freguesias da cidade de Ponta Delgada. A PSP sente-se impotente para fazer face a este problema, as restantes entidades também e penso que o Governo tem de debater sobre isto e tentar resolvê-lo o mais brevemente possível”.
O Presidente da Junta de Freguesia de Santa Clara afirma ainda que tem transmitido estas preocupações à Câmara Municipal de Ponta Delgada.
“Está do nosso lado e está também a desenvolver todos os esforços para que alguém tome a atitude mais correcta para que se possa resolver este problema. Tem de ser um esforço conjunto”, realça.
O autarca salienta que “esta situação já se arrasta há mais de 2 anos e até se tem agravado”.
“Claro que as pessoas começam a ficar revoltadas e não se vê sinais de melhorias deste cenário”, lamenta.
Na vizinha São José, o cenário descrito pelo Presidente de Junta de Freguesia também não é dos mais animadores.
“Estamos a falar de tráfico de droga, de criminalidade e também de assaltos. Aliás, o fim-de-semana passado, houve um assalto no Largo 2 de Março. Várias ruas da nossa freguesia, nomeadamente a Rua Tavares Resendes, a Rua dos Capas, a Rua da Alegria, o Campo de São Francisco ou o Largo 2 de Março, são locais onde há envolvência de pessoas com estes problemas”, conta.
Jorge Oliveira não tem dúvidas que isto provoca medo à população, principalmente junto da população mais idosa “que tem medo de sair de casa”.
“Temos recebido várias denúncias, algumas delas anónimas devido ao receio de serem identificadas, e e-mails com relatos dos moradores destas situações que enviamos para as entidades competentes”, sublinha.
O Presidente da Junta de Freguesia de São José salienta que estas preocupações já foram transmitidas junto da PSP, da Polícia Municipal e da Câmara Municipal de Ponta Delgada, lembrando, a este propósito, que “há uns meses, os Presidentes de Junta do centro de Ponta Delgada estiveram reunidos com o Sr. Presidente da Câmara que nos disse que se iria activar o Conselho de Segurança de Ponta Delgada”.
Jorge Oliveira mostra-se preocupado com a situação actual e destaca que este não é um problema exclusivo de São José.
“É um problema de São José, de Ponta Delgada e da ilha toda. Toda a ilha enfrenta estes problemas, mas com mais incidência em Ponta Delgada onde se vê à vista desarmada”, afirma.
O autarca admite que a revolta junto da população vai crescendo e que o número de queixas e denúncias são uma constante.
“Temos conhecimento, em média, da ocorrência de quatro situações por semana e não são sempre os mesmos. O problema vai desde a Rua de Lisboa, à Rua Tavares Resendes, a zona do Lajedo, a Vila Nova de Baixo, a Rua da Alegria, a Rua dos Capas, enfim, é na freguesia toda”, lamenta.
Jorge Oliveira reforça que “os moradores estão saturados destas situações”.
 “Se nos tiram os direitos, se nos privam de estar com os nossos amigos e de ir para os sítios onde queremos ir, é natural que fiquemos revoltados”, afirma.
Em Sebastião, José Rego sublinha que a preocupação perante este problema “é unânime”. O Presidente da Junta de Freguesia entende, por isso, “que deveria existir mais convergência entres as várias forças e instituições para que se possa construir uma Igreja e não apenas Capelinhas”.
O autarca considera que “está a faltar sentarmo-nos todos à mesa porque esta situação não se resolve com pensos rápidos”. José Rego defende que a resolução do problema terá de envolver “três importantes vertentes; educação, habitação e trabalho”.
José Rego lembra que “tivemos (os quatro Presidentes das Juntas de Freguesia da cidade de Ponta Delgada) uma reunião com o senhor Presidente da Câmara no dia 1 de Fevereiro, mas efectivamente o Conselho de Segurança ainda não foi reactivado e estamos a aguardar”.
O Presidente desta Junta de Freguesia admite a existência “de alguma preocupação” por parte dos moradores, mas considera importante salientar que “estas são pessoas errantes e neste momento as coisas estão um pouco mais calmas em algumas zonas. No entanto não quer dizer que isso amanhã não possa voltar a acontecer e a prejudicar o resto dos habitantes. Em todas as zonas existem pessoas com menos escrúpulos, mas também existe muito boa gente que quer viver tranquilamente”.
O autarca considera que tanto a PSP, a Polícia Municipal e o Instituto de Segurança Social dos Açores “têm feito o que podem tendo em conta a falta de meios”.
“Tenho aqui todos os casos de indigência referenciados e, tanto a PSP como a Segurança Social, têm conhecimento deles”, realça.
José Rego alerta para a existência de “casos gritantes” de habitações onde vivem cerca de uma dezena de pessoas.
“Defendo que devia haver, como se fez agora com o cuidador para o idoso, o cuidador social. Ou seja, uma casa onde habitassem 4 ou 5 pessoas dessas pessoas, orientadas por um cuidador”, afirma, chamando também a atenção para as dificuldades económicas que muitas famílias começam a sentir com o aumento do custo de vida.
Numa outra vertente, o autarca revela que está “à espera para fechar uma casa que estava a ser ocupada. Já é a quarta casa que vamos fechar para evitar essas situações e para dar tranquilidade aos restantes moradores”.
A terminar, José Rego reforça que “precisamos estar mais unidos” e deixa uma crítica à restante classe política.
“Os nossos políticos enchem a boca e dizem que somos o que estamos mais perto da população, mas essa proximidade muitas vezes é apenas para os servir 15 dias antes das eleições”, atira.     

Luís Lobão *

 

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Autor: CA

Categorias: Regional

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