21 de agosto de 2022

Recados com Amor...

Meus Queridos! A minha prima Maria da Praia telefonou-me, tal como havia prometido a semana passada, para dar conta do “espectáculo” que aconteceu no Centro Natália Correia, onde teve lugar a Assembleia Municipal, convocada pelo Partido Socialista que pretendia esclarecer o chamado imbróglio com a obra do Mercado da Graça… já no “reinado” absolutista do actual inquilino da Praça de São Miguel Arcanjo… Dei-lhe conta que não tive tempo de seguir ao vivo o debate, porque a minha sobrinha neta, que é quem sabe conectar-me com a plataforma que transmitiu em directo a sessão, teve um compromisso inadiável e deixou-me sem ligação directa ao Centro Natália Correia… Disse-me então Maria da Praia que a Presidente da Assembleia Municipal parece ter sido inspirada por Natália Correia para pôr os “bois na carroça” e dizer que o rei mente  e vai nú… porque a caldeirada apresentada pelo Presidente Cabral nada tem a ver com o projecto da reabilitação do Mercado da Graça que foi produzido pelos serviços técnicos da Câmara e não pelos responsáveis políticos  ou por gabinetes de projectos pagos a peso de ouro, como está na moda… Maria da Praia diz que já falou com um …conceituado advogado nessas coisas de projectos e custos, para inquirir o município… e requerer que lhe seja apresentado na qualidade de cidadão interessado… de forma detalhada, os custos das alterações que o Presidente alega que é preciso fazer e que irão custar meio milhão de euros para finalizar o projecto… Maria da Praia diz que toda essa história está mal contada e pergunta porque é que esta briga vem a público depois do Congresso do PSD-A, que destronou Pedro Cabral de Vice-presidente do Partido… colocando-o como Presidente da Mesa do Congresso, que é, segundo Maria da Praia, um lugar sem poder e de mera representação… Será que alguém me explica todo este volte face, quando o projecto de incêndios existe no processo, e há oito meses que haviam sido comunicadas à Câmara as alterações que eram necessárias, e o técnico que acompanhou o projecto deu atempadamente as soluções e a Câmara nada fez!? Isso é preciso esclarecer… para se perceber porque é que a Câmara não mexeu uma palha… sendo certo que o projecto do Mercado da Graça é do tempo em que o meu querido Presidente Bolieiro era Presidente da Câmara de Ponta Delgada..

Meus queridos! O editorial que o sempre frontal Director do jornal que tão generosamente me acolhe no seu seio publicou no passado Domingo, com o título “Os nossos filhos menores foram nacionalizados” não pode ficar por uma mera leitura, nem pode ser esquecido no meio da modorra deste mês de Agosto, em que parece que tudo pára para férias e é quando às vezes distraidamente nos pregam machadadas que depois vão influenciar a vida e a nossa identidade, por longos tempos. As preocupações explanadas pelo meu querido director, Américo Viveiros, deveriam estar na linha da frente do pensamento e da acção de quem ainda se interessa pela família nos termos em que a conhecemos e cuja agenda de destruição é bem clara. De facto, é muito grave o parecer que foi emitido pelo Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida, no qual afirma: “Os pais ou os representantes legais dos menores a seu cargo não têm de saber tudo sobre a saúde destes, nomeadamente no que diz respeito à educação sexual, contracepção ou em casos de doenças sexualmente transmissíveis”. Se isto não é o retirar da essência da paternidade e maternidade e o cerne das preocupações educacionais, eu já não sei o mundo em que vivo. E por isso mesmo só espero que o meu simpatiquérrimo, mas firme director continue, como escreveu: “Vamos aprofundar a questão fazendo o que nos compete de acordo com a responsabilidade social que temos, mas esperamos que outros também digam de sua justiça!”…

Meus queridos! A propósito de indigentes e de indigentes malcriados que ofendem, insultam e incomodam, dizia alguém há dias que as igrejas deveriam olhar muito mais por eles. Se calhar é verdade, mas é verdade também que um dos princípios básicos da acção da Igreja é não apregoar o bem que os seus membros fazem, nem a quem o fazem. E, sem o perigo de quebrar segredos, e como é à porta da Matriz que muitas cenas se passam, confessava-me a minha prima Terezinha que ali, e sempre sem holofotes, um grupo de senhoras dos Vicentinos não descansa nem no Verão, até porque os mais necessitados comem todos os dias e não há férias para a fome! É uma obra permanente a favor dos mais carenciados da paróquia, sem fotos nem notícias! Minha prima até soube que os Vicentinos da Matriz, com os seus proveitos que são escassos, ainda conseguem assegurar todos os anos 7 bolsas de estudo para os estudantes da paróquia com evidentes necessidades para continuarem os seus estudos na Universidade. Ou seja, muitas vezes aqueles que andam pelas redes sociais a exigir que os outros façam isto e aquilo, apenas andam a disfarçar outros intentos… Um bem-haja a quem verdadeiramente age!

Meus queridos! Uma das coisas boas no Verão, para quem ainda gosta das nossas tradições, é ir dando uns passeios de fim-de-semana pelas freguesias onde se vão fazendo as festas dos padroeiros, como fiz na passada semana com a minha sobrinha-neta, até às Sete Cidades, onde vimos a bem organizada e participada procissão de São Nicolau, com os caminhos bem enfeitados e os andores levados por jovens (eles e elas) aprumados e vestidos a rigor. E uma coisa que dá gosto ver é a profusão de bandeiras que ainda usam nas ruas e na alameda de acesso à Igreja. Mete pena que em muitos lugares, as bandeiras estejam a cair em desuso, pois elas eram e deveriam ser um elemento essencial na decoração dos recintos das festas, com os seus mastros multicolores e pintados de fresco, e já agora, não se esqueçam de usar e multiplicar a bandeira dos Açores, que parece estar a desaparecer… apesar da divulgação e oferta feita em tempos pelo Governo, creio, de Carlos César… Um ternurento beijinho para quem ainda sabe ir mantendo a tradição…

Ricos! No passado fim-de-semana, o cachalote gigante que ainda estava na avenida litoral depois da Festa Branca deu um tombo e feriu duas pessoas, felizmente sem gravidade. Logo se levantou uma onde acusações e de comentários, como se o acidente fosse logo indiciador de desleixo ou incúria e não pudesse ser causado até por acto de vandalismo, destes que abundam por aí… A minha prima da Rua do Poço que por ali passou momentos depois do ocorrido e viu o dito cujo em posição periclitante, pensou lá consigo que aquilo que o cachalote queria era sair dali para se divertir um pouco mais ao lado, na festa da cerveja… Mas como cachalote é bicho de água, coitado, estatelou-se….

Ricos! À hora que entrego estes meus recadinhos ao Director do jornal que tão generosamente me acolhe no seu seio, ainda não se realizou a tourada à corda prevista para ontem, Sábado, num lugar do concelho da Lagoa. Não sou mulher de me meter nessa luta pró ou anti taurina que já tem contendores bastantes por essas ilhas adentro e por esse mundo fora e não sei qual foi a aderência de mais esta tentativa por cá, mas valha-me a Senhora dos Remédios! O que eu não gosto acima de tudo é desta ânsia (que não é nova) que é copiar o que é típico e tradição de uma ilha e que quando é importado perde toda a genuinidade… Um micaelense nunca saberá o que é a essência de uma tourada, como um terceirense nunca saberá o que é o espírito de uma romaria. São estas diferenças que nos tornam únicos, mas há quem goste de copiar…

Meus queridos! Tinha resolvido não escrever mais nos meus recadinhos sobre o matagal de plantas infestantes que cresce em cima de muitos telhados de Ponta Delgada. Mas vi na passada semana, com estes que a terra há-de comer, em plena Rua Carvalho Araújo, mais conhecida por Rua do Colégio, um pedaço de telha que quase atingia um senhor que lá passava com dois sacos de compras na mão e que não ganhou para o susto. Será que a Câmara, não se devia preocupar com a segurança dos cidadãos e saber de quem são as casas desabitadas para escrever aos donos ou herdeiros a avisar que se não limparem os telhados e segurarem as frentes das ditas casas… vão ter que se ver com a Justiça? Ou não há lei, nem posturas municipais para estes casos?

Ricos! e por falar de câmaras municipais, a minha prima Maria da Praia mandou-me o recorte de um artigo de opinião assinado por um político e dirigente do Partido que encabeça a coligação do Governo, no qual escrevia, e bem, que o mês de Setembro está à porta e compete às câmaras, através do serviço de Protecção Civil Municipal, cuidar da prevenção dos riscos que podem ocorrer com os primeiros aguaceiros…. procedendo antecipadamente à limpeza e remoção dos materiais sólidos que andam por todo o lado… Maria da Praia diz que o político em causa tem toda a razão, mas acha que ele devia, como responsável e dirigente partidário que é, começar a exigir ao Presidente do seu município que tome tais medidas, sobretudo em freguesias como os Arrifes, Feteiras, Mosteiros e outras com problemas derivados da quebra das linhas d’água que se dão com as arroteias e com as áreas que foram sendo edificadas… O aviso do articulista é importante…. mas, como dirigente político deve agir junto de quem manda, por vezes… como dono disto tudo… para que cada concelho se prepare para as novas condições atmosféricas que começarão em Setembro.

 

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Autor: CA

Categorias: Maria Corisca

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