28 de agosto de 2022

Santos de Casa...

Nos últimos dias do mês de Agosto…

A semana passada, a última completa do mês de Verão por excelência, analisada por um certo prisma, até foi positiva.
A Guerra que prossegue há 6 meses na Ucrânia não alastrou e abrandaram as veladas, mas persistentes ameaças de um conflito nuclear. Contudo, o Secretário-geral da ONU considera que o perigo persiste. À “pandemia” sucede um período longo de “seca severa” que exige uma gestão cautelar dos desperdícios e do consumo de água no território do Continente e naturalmente ajudas públicas financeiras compensatórias dirigidas às quebras de produção. O endividamento português público cresceu, segundo os últimos números divulgados pelo Banco de Portugal, mas foi compensado pelo aumento concomitante do PIB nacional, o que significa que o respetivo rácio desagravou ligeiramente. A receita fiscal aumentou alimentada pela inflação relativamente à qual ainda não há certezas sobre a sua evolução. Os Bancos Centrais, gestores da liquidez da economia, continuam a defender a subida gradual da taxa de juro indicativa como remédio.
Portugal é um país socialmente tranquilo, emocionalmente derrotista e politicamente em busca do antídoto democrático apropriado para degenerescência da maioria absoluta parlamentar em autocracia, o que incentiva o Presidente da República a preferir o comentário político a uma magistratura de influência, a perguntar mais do que intervir, a torcer o nariz ao futuro.
O Governo Regional entendeu apresentar publicamente o mais recente avião de passageiros adquirido pela SATA, que já operava em linha há algum tempo e batizá-lo com o nome do escritor e professor açoriano Vitorino Nemésio. O Governo quis demonstrar confiança no modo como está a ser executado o programa de recuperação da SATA aprovado pela União Europeia e que pressupõe a entrada de capitais privados no capital social da companhia açoriana. O Presidente da SATA, ansioso por lhe prolongar a vida, emprestou ao novo aparelho precisamente o significado de uma prova de vida. A SATA na sua operação regular entre as ilhas é mais importante para os Açores do que a TAP para o Continente português, compreensivelmente pela relevante descontinuidade territorial da Região Autónoma como pelo seu insubstituível e substancial contributo para a integração e coesão do Arquipélago.
O Governo Regional inaugurou ainda uma nova e moderna escola na Vila das Capelas que há muito por ela esperava e a merecia e à qual corresponde um investimento mais vultuoso do que o previsto e um tempo de execução prolongado pela inexistente compatibilização estrutural do projeto de especialidades: aquecimento, ventilação e ar condicionado. Num curto espaço de tempo, já é o terceiro caso em que o projeto principal sofre atrasos relevantes originados pela inexistência ou deficiência de projeto de especialidades ou estudos condicionantes.
Nos Açores, os projetos de investimento parece não se darem harmoniosamente com os estudos condicionantes e/ou projeto das especialidades, como estes outros dois: a construção da estação espacial na Ilha de Santa Maria foi arrastada para o final do ano por inexistência do estudo ambiental; as obras de remodelação do mercado municipal de Ponta Delgada foram suspensas por deficiências do projeto de especialidades contra incêndios.
Por fim, o presidente da França Emmanuel Mácron, vulnerabilizado pelos resultados do recente ato eleitoral, que não lhe foram favoráveis, chegado de férias de Verão, entendeu avisar o Mundo para um novo grande perigo económico e social: o fim da abundância. E fundamenta assim: estamos a viver uma grande reviravolta… O fim da abundância de produtos de tecnologias que pareciam sempre disponíveis o fim da abundância de terra e materiais, incluindo água”, tal como respigam as agências noticiosas do jornal The Guardian que reproduz as declarações do líder francês. Continuando a citar a comunicação social, o Presidente francês considerou que a França, a Europa e o Mundo talvez tenham sido muito “despreocupados” com as ameaças à democracia e aos direitos humanos, a “ascensão de regimes iliberais e o fortalecimento de regimes autoritários”.“Esta visão geral que estou a apresentar sobre o fim da abundância, pode levar os nossos cidadãos a sentir muita ansiedade. Diante disso, temos um dever, deveres, o primeiro dos quais é falar com franqueza e clareza, sem palavrões”.
Coisas da silly seasonou serão da política ou simplesmente de Emanuel Mácron? 

Álvaro Dâmaso

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Autor: CA

Categorias: Opinião

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