2 de setembro de 2022

Opinião

Opinião do Leitor


Ponto 1 – A nova guerra na Europa já vai longa e todos os dias recebemos preocupantes notícias, oficiais e pessoais.Aqui, nos Açores, um bom povo açoriano não se agonia com o que se passa naqueles longínquos lugares e os nossos governantes, aparentemente, também não se interessam em nos manter informados sobre os cenários futuros (tal como, as peças de teatro, que, cena a cena, vão aparecendo).
As nuvens radioativas são preocupantes para nós nos Açores.
É triste o que se passa na longínqua Ucrânia. Um navio oceanográfico em que trabalhei e estava matriculado em Kiev e as notáveis equipas russo-ucranianas com quem lidei, regularmente, foram enviando notícias sobre os nossos trabalhos evitados pelas diversas Academias da Federação Russa, incluindo a de Kiev.
Adorei trabalhar com tais pessoas e sei que se encontram bem (felizmente). Os académicos e os respetivos investigadores deixam-me saudades quer pelas suas atuações científicas (onde nunca fui esquecido) quer pelas suas manifestações de amizade.
Ou seja, exatamente, o inverso da Universidade dos Açores onde me perseguem (despejo do gabinete tradicional etc.) e me ignoram (cerimónias académicas, reuniões, etc.). Essas omissões existem porque há gente muito pirosa em muitos dos novos mini departamentos.
O Professor Doutor Machado Pires (Reitor) contou-me as incríveis atuações passadas no seu reitorado em que os assistentes J. L. Gaspar, Gabriela Q., Teresa Tété, R. Coutinho (este de São Miguel e que me deve imensas situações de apoio quer na U. Coimbra quer em Ponta Delgada, quando ele foi passar meses de estadia em Coimbra sem a reitoria o conhecer).
Jubilei-me aos 70 anos e nem um ofício de despedida recebi do departamento onde os alojei e que estava a dirigir por uma tal Helena Almeida, recordista de prazos de doutoramento (25 anos…!).
Ponto 2 – Voltando à presente guerra da Ucrânia, os jornais que temos em Portugal e “ilhas adjacentes”, quase que apenas referem foguetões, bombardeamentos, destruições e emigrações de adultos e infelizes crianças. Tais jornais não têm sabido historiar o que realmente tem ocorrido no âmbito da mineração do petróleo e do gás. De facto, a Ucrânia é um país rico em cereais e minérios, sendo um país metido à força na Federação Russa e que pretende agora tornar-se independente, e integrando-se na UE e na NATO. Porém ao redor dessas intenções existem chorudos negócios, frios e oportunistas. O petróleo e o gás russos durante alguns anos foram tratados pela Alemanha e Países Baixos como um claro apoio da Federação Russa (leia-se Putin), uma apressada opinião desses países onde predominam perigosos descendentes dos Átilas que varreram a Europa e destruíram Roma.
Ponto 3 – A guerra da Ucrânia (ou invasão russa) tornou-se expetável o ano passado.
Alguns países da NATO, por diversas ocasiões, entre si, alertaram a Alemanha para o cinismo russo de Putin. E tais países ainda alertaram a U. Europeia para a agressividade latente da Federação Russa. E esse ponto crítico chegou com a invasão criminosa da Ucrânia.
Além disso descobriram-se estranhos e desonestos comportamentos. Um correspondeu à posição de ex-Chanceler Schroeder como um dos administradores da empresa russa de gás, atuação repelente e desonesta, mas bem paga pela russa GASPROM. Outro cinismo consistiu na construção de um gasoduto com geometria semelhante à do primeiro (ambos localizados no fundo do Mar Báltico). Outro desmando onde também Schroeder se encontra consistiu no cerco à Ucrânia chantageando os vizinhos países da UE. Essas manobras ligaram com imensos teatros de guerra. Milhões e milhões de euros quer no custo direto das armas quer nas percentagens exigidas pelos fornecedores (outros milhões). A guerra na Ucrânia é uma milagrosa dádiva para uma NATO enfraquecida pela administração Trump. A nova guerra é repelente, danosa e altamente destruidora, mas… envolve milhões de euros e rublos e empresas mineiras. A invasão da Ucrânia é uma criminosa interferência da Federação Russa com milhares de mortos, militares e civis (neste caso, incluindo centenas de crianças despejadas vala comum).
Ponto 4 – Nos Açores, entre as equipas governamentais já existentes, deveria haver uma que informasse o desenrolar desta guerra e o que faz o nosso governo quanto às situações futuras.
A ganância turística (agência de viagens, viaturas, restaurantes, alojamentos locais, etc.) daqui a um mês vai regressar à rotina da pedinchice dos desgraçadinhos que pouco ganharam e dos prejuízos que causaram as avalanches de turistas quase todos de uma classe média, pouco endinheirada.
Os Açores vivem uma época onde o turismo tem mais importância do que medidas de informação e de comportamento. Decerto o Governo dos Açores já idealizou as consequências de possíveis nuvens radioativas vindas do Sul da Ucrânia onde a ONU (leia-se USA) reunirá dados de manifesta importância visando a segurança de diversos países, incluindo de Portugal Continental e Portugal Insular.
A Ucrânia não está apenas envolvida numa perigosa teia de atividades bélicas. Lembrem-se do mega desastre de Chernobyl, e das centrais norte americanas e japonesas onde ocorreram desastres gravíssimos.

Victor-Hugo Forjaz
 

PDL, 31-8-2022

Adenda
Alínea a)
 Leiam nos artigos do Doutor Álvaro Dâmaso; são muito eloquentes.
Alínea b)
 Sigam o que recomenda USGS que publica regularmente boletins sísmicos, vulcanológicos e geotécnicos. Trata-se de um comportamento contrário ao CIVISA (uma espécie de caverna dos tempos do Ali Babá).

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Autor: CA

Categorias: Opinião

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