Eduardo Lima é um dos rostos da Decorlar

“Este ano houve imenso turismo que deverá ter superado todos os outros anos”

A empresa já vem desde os tempos dos sogros do nosso entrevistado, tendo origem na Radiante, surgindo depois a Moviarte e posteriormente, por várias razões nasceu a Decorlar. “Ficamos a trabalhar em família, mas ao fim de 11 anos tomamos a iniciativa de cada casal seguir a sua vida”, relevou.
Se não sabe, Decorlar significa decoração do lar. “Estávamos mais vocacionados para a decoração do lar, porque antigamente as pessoas quando iam casar a filha tinham de levar as imagens para cima da cómoda, as jarras de cristal, os cortinados, os candeeiros e a nossa vocação era precisamente essa. Com a alteração dos gostos ou com a imposição das fábricas em fornecer outro tipo de artigo que fosse mais cativante, porque há sempre a tendência para modificar aquilo que já foi passado, tivemos de introduzir algumas alterações aqui no nosso estabelecimento, de maneira que pudesse cativar mais o cliente. Como tem havido um aumento de turismo, começamos a introduzir também o artigo regional, porque hoje em dia as pessoas vêm cá e querem uma lembrança para oferecer a um amigo, a um primo ou a um cunhado e basta um íman, uma t-shirt, um corta-unhas ou um postal para agradar”.
Na Decorlar, na Rua Inácio Correia, n.º 29, são três os colaboradores, entre eles, a mulher de Eduardo Lima e uma outra profissional do ramo.
De referir que desde o dia 1 de Abril, que a Decorlar de Ponta Delgada passou a funcionar das 09h30 às 22 horas, sem interrupção para almoço. A partir das 18h30, com a “prata da casa” como se costuma dizer, ou seja, com pessoal de família.
 A partir do dia 1 de Outubro, a loja passará a funcionar com o horário normal, das 09h30 às 18h30.

Uma outra loja em Rabo de Peixe

De referir ainda, que existe ainda uma outra loja em Rabo de Peixe, no concelho da Ribeira Grande, mais concretamente na Rua Casa Nova, n.º 11. Esta foi a loja que deu origem à Radiante, que data de 1964, mas que no passado ficava no Largo Frei António do Presépio Moniz, n.º 1. A partir desta loja, surgiram todas as outras sete lojas que chegaram a existir.
Em termos de turismo, Eduardo Lima valida que este ano deverá ter superado todos os anos anteriores. “Estávamos muito contentes no início de 2019, depois veio a pandemia da Covid-19, que fez com que muitas empresas fechassem o ano com saldo negativo, em 2021 já se recuperou muita coisa, mas 2022 está a ultrapassar todos os outros anos”.
No entanto, um bom ano não significa que 2023 venha a ser ainda melhor. “Sou um bocado reticente quanto a isso, sou mais cauteloso e basta recordar como está a inflação. As taxas de juros indexadas à Euribor aumentaram e as pessoas há um ou dois anos atrás, perspectivaram as suas vidas de uma foma, mas da maneira como as coisas estão a evoluir, acho que em 2023 muita gente vai ter dificuldades em gerir os seus rendimentos e os compromissos que têm para com a banca”, lamenta.

Ímanes e peúgas
no topo das vendas

Com tanto para decorar o lar, curiosamente são os ímanes e as peúgas que estão no topo das vendas na Decorlar. “São artigos a preços acessíveis e a maior parte das pessoas levam a linha de conta que não é o valor da oferta que conta, mas sim a lembrança. O íman poderá ser colocado na porta do frigorífico ou noutro local qualquer e as peúgas surgem com vários desenhos, sendo que as que mais se vendem são aquelas que têm imagens de vaquinhas”.
Eduardo Lima nem sempre foi empresário. Aos 22 anos começou a trabalhar para a Bensaude, numa agência de viagens que pertenceu ao grupo, na ilha Terceira, só que ao fim de dois anos e meio pediu transferência para São Miguel, onde esteve cerca de 10 anos, como agente de viagens, antes de ingressar no ramo comercial.
Mais tarde, abandona a sua vida profissional e abraça o negócio familiar, naquele que foi um passo que não se arrepende de ter dado, apesar de reconhecer que se trabalha mais agora. “Temos as nossas férias, como todos têm, mas as responsabilidades são acrescidas, porque se houver qualquer inconveniente, altera-se o que tiver de ser alterado, e não quero que as nossas colaboradoras sejam prejudicadas, seja com o que for, e tudo se arranja”.

As Sanjoaninas…

Fora da esfera do trabalho, e sem muito tempo para fazer grandes coisas, diz que é “uma pessoa muita caseira” e é mais “de estar no quintal ou a arrumar alguma coisa lá em casa ou na garagem”. No demais, “limita-se a isso”, porque não lhe “resta assim muito tempo para fazer algo mais”.
Natural de Angra do Heroísmo, Eduardo Lima está já cá a viver há 39 anos, considerando-se “mais micaelense do que terceirense”. No entanto, não perde oportunidade para regressar à terra que o viu nascer. “Praticamente, 95% das vezes que lá vou, é para ir às Sanjoaninas. Se não for lá por isso, já não vale a pena ir. É imperdível”, sublinha.

 

Print

Categorias: Regional

Tags:

Theme picker