Oito suspeitos de tráfico vão a julgamento em Outubro acusados de vender haxixe em parques de estacionamento de cafés e restaurantes

Oito homens, com idades compreendidas entre os 53 e os 31 anos, vão ser julgados pelo crime de tráfico de estupefacientes no Tribunal de Ponta Delgada.
No processo, a que o nosso jornal teve acesso, o Ministério Público entende que três destes arguidos, respectivamente com 39, 53 e 32 anos, seriam os distribuidores e vendedores de placas de haxixe de 100 gramas, cada, a outros indivíduos na ilha de São Miguel. Por isso, a acusação pede que estes arguidos sejam condenados pelo crime de tráfico de estupefacientes agravado. Numa outra ‘linha’ encontram-se dois arguidos (42 e 32 anos), residentes em Água de Pau, suspeitos de funcionarem como revendedores directos do homem de 32 anos acusado de tráfico agravado. Os restantes três arguidos, de 48, 41 e 39 anos, serão julgados pelo crime de tráfico de estupefacientes de menor gravidade. Estes indivíduos terão comprado haxixe em quantidade superior ao permitido por lei.
Explicar também que este processo tem como origem escutas telefónicas interceptadas no âmbito de um outro da mesma natureza e onde, o arguido de 39 anos, residente no Livramento e que este homem poderá constituir-se como sendo a peça fulcral em toda ‘esta engrenagem’, foi implicado no tráfico de estupefacientes.
As ligações conhecidas deste arguido ao tráfico de haxixe remontam, acreditam os agentes de autoridade, a meados de 2017 quando este se terá oferecido para ‘guardar’ em sua casa haxixe de outros dois homens ficando assim, e em contrapartida, com uma percentagem dessas placas de haxixe para consumo e venda.
Através de escutas telefónicas efectuadas já no âmbito deste processo, e onde eram utilizadas palavras de código como “bisnagas”, “jantes” ou “mudar o óleo”, foi possível às autoridades detectar várias compras e vendas de haxixe realizadas por este homem.
A acusação acredita que mais tarde, já no Verão de 2021, um dos outros arguidos, actualmente com 53 anos e residente nos Arrifes, se terá oferecido para ser seu fornecedor de droga. Com a aceitação da proposta, a acusação defende que ambos terão fechado negócio em Agosto ou Setembro desse mesmo ano, trocando cinco placas de haxixe de 100 gramas por 3.000 euros. Mais tarde, em Outubro, o negócio terá envolvido 5.500 euros pela compra de outras 10 placas.
O Ministério Público defende que este homem de 39 anos terá vendido, “no mínimo”, desde o início do ano passado e até ao mês de Novembro, 70 placas de haxixe (7 kgs), sendo que cada uma delas daria para cerca de 400 doses.
A acusação especifica também que o arguido venderia estas placas por 650/700 euros, obtendo, por cada uma delas, um lucro de 100 a 150 euros.
As entregas, efectuadas com recurso a diferentes carros que se encontravam na oficina deste homem, ocorreriam em parques de estacionamento de restaurantes, cafés ou em postos de abastecimento de combustível.
Após buscas realizadas a 8 de Novembro de 2021, foram-lhe apreendidas 8 placas de haxixe que dariam para aproximadamente 4.500 doses. Para além disso, tinha em sua posse aproximadamente 6.000 euros com que iria comprar, no mesmo dia, mais placas ao já referido arguido de 53 anos, residente nos Arrifes.
Entretanto, em Água de Pau, surge nesta investigação o mais jovem dos arguidos acusado pelo crime de tráfico agravado. A ligação terá sido feita pelo facto de as placas de haxixe vendidas pelo homem do Livramento, possuírem um símbolo identificativo.
Este arguido de 32 anos, para além de haxixe, venderia ainda heroína e também droga sintética. Para além de vender directamente a vários consumidores, este indivíduo, argumenta o Ministério Público, distribuía a já referida droga aos outros dois arguidos da mesma freguesia, para que estes também a revendessem.
No seguimento de buscas efectuadas à sua habitação, a 13 de Julho de 2021, foram encontrados 100 gramas de haxixe (1 placa), 1990 gramas de heroína e cerca de 6.500 gramas de sintética Alpha PHP. Na data da sua detenção, este homem de 32 anos, tentou fugir dos agentes da PSP e, após ter sido interceptado por estes, ainda terá tentado morder os braços destes. Por isso, pende igualmente sobre este arguido uma acusação por esses factos.
O início deste julgamento está agendado para o próximo mês de Outubro.
                       

 

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