9 de outubro de 2022

Recados com Amor...

Meus Queridos! Apesar de não ser mulher de me meter nessas coisas de política, sou uma pessoa atenta àquilo que os governantes do País e da Região vão dizendo e fazendo, e por isso segui, aqui da minha casa na Rua Gonçalo Bezerra, as cerimónias do 5 de Outubro, que tiveram lugar na Praça do Município, em Lisboa, frente ao palácio donde foi proclamada a República, que fez 112 anos… As cerimónias foram feitas no formato tradicional, passada a pandemia, e teve muita gente a assistir, incluindo uma manifestação de professores empunhando cartazes contendo as suas reivindicações… Comigo estava a minha prima Jardelina, que ao ouvir os discursos do edil anfitrião da festa, Carlos Moedas e do meu querido Presidente Marcelo, ficou sem saber quem era quem, pois Moedas falou como se fosse Presidente… enquanto Marcelo vestiu a bata de professor de História… Mas o que mais indignou a minha prima foi que na tribuna de honra, e enquanto Moedas falava, o Primeiro – Costa… que esteve para não ir à cerimónia, mas depois acabou por ir,… e o Presidente Augusto de São Bento, não pararam de usar o telemóvel, parecendo até que estavam a trocar mensagens entre si…. Muito feio, diz minha prima. Quando se perde o sentido de Estado e se dá tão mau exemplo, eu não sei o que é pior, se aquele desprezo ali manifestado ou o já adagiário içar da bandeira no tempo de Cavaco… que ficou de pernas ao ar… quando era Medina Presidente do Município… É caso para perguntar se a ética republicana do século XXI é mesmo assim…

Meus queridos! O simpatiquérrimo Director do jornal que tão generosamente me acolhe no seu seio remeteu-me a carta - email que lhe foi enviada pelo reverendo cónego arcediago que julgava “que ia morrer sem ser um dos felizes contemplados com os meus incomparáveis recados”. Fiquei muito contente em ser assim considerada e o meu recadinho foi precisamente a louvar a coragem e destemor da sua carta ao director da publicação online “7 Margens”. Quanto à “Crença” ser ou não um Boletim Paroquial, o rico que tem umas primas que lhe arranjaram um exemplar antiquíssimo, podiam ter-lhe mandado um dos que têm sido publicados regularmente desde há muitos anos atrás, e nos quais em nenhum lugar consta que é um Boletim Paroquial, mas sim um jornal semanário católico da ilha de São Miguel… e por isso mesmo… nem é o pároco da Igreja de São Miguel Arcanjo o seu director, mas sim alguém nomeado pelo Bispo de Angra. De resto, nem eu, que sou fuseira de gema, nem a minha prima Maria da Vila nos metemos nisso de ter Bispo ilhéu ou de outras bandas …. e muito menos vamos naquele “seja de que ilha for”… e por isso, posso ir rezar tranquilamente ao Campo de São Francisco,… mas nunca será para que caia alguma mitra por ali, nem tão pouco pela rua da Sé. Isso cheira-me a outras guerras que ao comum dos mortais não tira o sono. Esses são “jogos florais” que me passam ao lado, e só tenho pena que numa altura em que a Igreja está tão abalada com todas as revelações comportamentais de clérigos que têm vindo a público, se esteja a perder tempo para adivinhar quem será e donde virá o novo Bispo para os Açores… Cá para mim, o que é difícil é nesta fase… arranjar um bispo… De qualquer forma, e apesar da extensão da missiva do simpatiquérrimo cónego arcediago que ultrapassa o espaço que me é facultado pelo Jornal que me acolhe no seu seio, pedi ao meu Director que me autorizasse publicar a missiva que me foi dirigida pelo cónego João Maria Mendes, o que faço de seguida, enviando-lhe um ternurento beijinho pela atenção e pelos ensinamentos tauromáquicos… que não consegui ter espaço para no seu recadinho incluir a “encrenca” que é descrita pela sua afastada comadre Cesaltina…


Minha rica Maria Corisca, venho-te agradecer, do fundo do coração, o recado com amor que me enviastes. Julguei que ia morrer sem ser um dos felizes contemplados com os teus incomparáveis recados. Vá lá, tive sorte
Neste entretanto, a minha prima muito afastada Senhorinha, que mora entre a Ribeira Seca e a Ribeira das Tainhas,  que nem por nada desta vida perde uma boa piada, e que não é nada mexeriqueira, meteu-se logo ao barulho e telefonou-me para me dizer que sim senhor, que a “A Crença” se já não é um Boletim Paroquial, pois deve ter subido de posto, antigamente não tinha vergonha de se auto intitular, com letras que até a irmã dela (outra prima afastada que nem conheço), que é meia cega, conseguiu ler.
E para não haver dúvidas pediu à comadre Gertrudes, mulher ressabiada e perita em informática, que fosse ver se não era assim. E não é que a minha prima Senhorinha me manda um “retrato”, como ela diz, com o cabeçalho antigo, note-se bem que é antigo, de “A Crença” em que confirma o que a irmã ceguinha conseguiu ler: Boletim Parochial Há cada uma neste mundo que nem eu queria acreditar, sobretudo depois do teu querido recado com muito amor e carinho que só tu sabes dar.
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Enfim, minha rica Maria Corisca, meti-me nesta dança mas não estou arrependido, pois talvez um dia um padre-nosso (não aquele que se reza na Missa) chegue a bispo. Reza todos os dias uma jaculatória ao Senhor, quando fores ao Campo de S. Francisco, para que isso possa acontecer, mesmo que o Núncio pouco se importe com o assunto. Seja ele de que Ilha for, mas que seja do clero desta nossa Diocese.
Quanto a touradas, minha rica, se algum dia vieres à Praça de Toiros da ilha Terceira, oxalá que não te calhe sair um toiro encrençado em tábuas, pois é uma tarde perdida a ver o animal manso, sem arredar pé, sempre fixo no mesmo lugar.
Abraços e beijos.
João Maria Mendes


Meus queridos! Por ser feriado em Portugal, o Dia do Professor passa despercebido e não tem o alcance que teria se não fosse celebrado no mesmo dia da República. Mas para eles e elas vai o meu ternurento beijinho. E, de um modo especial, este meu ternurento beijinho vai para o decano dos docentes, em São Miguel, o meu querido Professor Rubens Pavão, cuja lição de Mestre, li com muito interesse, no passado Domingo, no jornal que tão generosamente me acolhe no seu seio. Realmente, “da velha cartilha às tecnologias de hoje” vai um caminho que há pouco tempo nem se podia imaginar. O que resta saber é… que humanização teremos no futuro com as tecnologias a distanciarem as pessoas entre si e a remeterem tudo para um mundo virtual em que tudo parece descartável após o uso…. E em Dia do Professor, mais que o esforço presente deve doer este rol de dúvidas sobre o futuro…


Ricos! Fiquei banzada quando li o comunicado rosa com as dúvidas sobre a quem foi encomendado o estudo para o transporte marítimo de mercadorias nos Açores. E não quis acreditar que a empresa em causa é especialista em informática, relógios, ourivesaria e joalharia… Como disse a minha prima Angelina, as suspeitas levantadas pelo PS são pesadas e logo de pronto veio a Secretária do sector… negar todas as ditas suspeitas, mas para quem não anda nestes meandros políticos, continua a não entender nada porque não basta negar. Da mesma forma que seria grave entregar um estudo de barcos a um joalheiro, também é grave fazer afirmações que podem não ser verdade. É isso, que em nome da verdade é preciso saber quais os contornes desse estudo, quem fala verdade, e quantas empresas foram consultadas para o dito cujo… A política e os políticos andam pelas ruas da amargura e deviam já saber que em política não pode valer tudo…


Meus queridos! A minha prima da Rua do Poço leu com toda a atenção no jornal que tão generosamente me acolhe no seu seio a notícia de que está pronta e deferida toda a papelada para o arranque das obras nas defuntas galerias da Calheta. Com hotel ou sem hotel, o que ali se quer é o fim daquela pouca vergonha e mesmo assim ela só vai acreditar quando vir as máquinas no local, porque 16 meses é muito tempo e não se diz se é para começar ou para acabar… Mas a minha prima tem registadas e marcadas no calendário as declarações dos promotores de que as obras começam ainda este ano. Mas como aquela não é uma obra privada dado que aquilo é um espaço público concessionado, não ficava nada mal ao edil mor da cidade e sua equipa que divulgassem o boneco final de como vai ficar todo aquele espaço… Já que se fala tanto em transparência, diz a minha prima!


Ricos: As festas de Verão das nossas freguesias estão a chegar ao fim. Foi a vez de no passado fim-de-semana ter sido intensamente vivido pelas gentes vizinhas da vila de Rabo de Peixe. A minha comadre Xica ligou-me a contar que gostou muito do arraial da Segunda-feira e de como se divertiu imenso com as típicas arrematações das ofertas à Senhora do Rosário, onde se viam, no meio das batatas, galinhas, coelhos, bananas e mandarinas, mais de um cento de pombas engaioladas em diversas caixas. Xica ficou boquiaberta, enquanto degustava uma malassada, que comprou numa das barraquinhas da festa, um popular licitou uma dezena de pombas e mandou na mesma altura libertar as ditas cujas, … o que originou uma salva de palmas do povo que estava presente. Vai daí que começaram as outras avezinhas a serem arrematadas por outros ofertantes… e, curioso foi ver que todos os que as arremataram decidiram também libertá-las. Um casal de forasteiros vindos da Áustria, que assistia ao arraial com visível agrado, também quis licitar uma jaula de pombas e depois de as pagar em euros, abriu a caixa e deixou voar as pombinhas, para regalo dos turistas e do povo presente. Um bom exemplo que passou ao lado da doutrina do PAN nos Açores, e só tive pena do Deputado Pedro Neves não ter presenciado tal acção!


Meus queridos! A minha sobrinha-neta, que costuma estar atenta às redes sociais, viu por lá a cópia dum ofício remetido a toda a Polícia em que o Director Nacional avisa que é proibido o uso de arma “com projécteis letais” (balas reais) em situações de desordem pública e que será punido o militar que sequer retire a arma do coldre… A minha sobrinha-neta pensou que era mais uma das muitas notícias falsas que correm pelo mundo das net… e até mandou perguntar a um polícia seu amigo se aquilo era verdade… E a resposta do dito cujo foi que “infelizmente é verdade”… Ou seja, em caso de ressaca na rua, os intervenientes já sabem que podem bater em todos, mesmo nos polícias que eles estão proibidos sequer de puxar a arma. E é assim que se vai criando e alimentando a ideia de que já não há autoridade e que são os polícias que têm de fugir dos ajuntamentos que acabem em pancadaria, se quiserem pelo menos salvar a pele… Pobre País… onde também um polícia que esteja trajado à civil, não pode intervir… Deixa bater!

 

 

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Autor: CA

Categorias: Maria Corisca

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