18 de outubro de 2022

Gaspar Frutuoso o historiador das ilhas

 Estamos a assinalar os 500 anos do nascimento do “Pai da história insular Atlântica”, o Dr. Gaspar Frutuoso cuja importância para o conhecimento do povoamento dos Açores, Madeira, Canárias e Cabo Verde, ou seja, da chamada Macaronésia, reveste-se de grande relevância.
Ao longo de três dias, congressistas de vários pontos do país apresentaram as suas investigações sobre a vida e obra daquele insigne sacerdote, historiador e escritor açoriano.
Imortalizado pela sua obra de descrição histórica e geográfica dos arquipélagos atlânticos Gaspar Frutuoso nasceu na cidade de Ponta Delgada, mas é uma presença incontornável na cidade da Ribeira Grande, nomeadamente através da toponímia do centro histórico, onde também se encontra a sua estátua, e foi onde escreveu as “Saudades da Terra”.
Nasceu em 1522 e faleceu em 1591. O historiador Gaspar Frutuoso constitui uma referência no âmbito da História, da Genealogia, da Literatura, da Geografia, Biodiversidade, Geologia e Vulcanologia. 
Viveu intensamente o ambiente cultural do seu tempo, deixando um legado que reflete um espírito moderno, centrado na busca do conhecimento que compaginou com a vida de sacerdote da Igreja de Nossa Senhora da Estrela, da Ribeira Grande. 
Por isso, torna-se muito importante celebrar o meio milénio do seu nascimento, para podermos avivar a memória dos mais novos e são muitos os que mesmo com cursos universitários não têm a noção de quem foi este teólogo e humanista que se pode considerar o maior historiador das nossas ilhas.
Com esta celebração, importa aproveitar o ensejo de aprofundar o estudo da sua vida e obra, do tempo em que viveu e do contributo que deixou a múltiplas áreas científicas. Uma figura de tão grande relevo e prestígio, não pode ficar nas prateleiras das bibliotecas, tem de ser lido e estudado por todos os açorianos. As nossas escolas têm o dever de promover a divulgação da obra de Gaspar Frutuoso, como sendo uma espécie de Lusíadas das ilhas atlânticas.
Um simples clic no google poderá dar-nos acesso imediato à vasta obra deste ilustre micaelense e onde podemos pesquisar tantas matérias de interesse para o conhecimento dos primórdios do povoamento, trazendo finalmente esta obra ao conhecimento e fácil acesso do público, cujos contributos originais são decisivos para o conhecimento da história dos arquipélagos insulares.
Este cronista insulano tem a sua obra dividida em seis livros o que possibilita todo o conhecimento da Macaronésia. trazendo finalmente esta obra ao conhecimento do público. Esta é a edição anotada por Álvaro Rodrigues de Azevedo, que ao longo de 30 notas apresenta contributos originais e decisivos para o conhecimento da história do arquipélago da Madeira. Por isso, e para além do vasto programa cultural associado ao evento, apresentamos esta página Web para memorar e enaltecer o sacerdote e o historiador, fazendo-lhe justa memória.
Da história de “Saudades da Terra”, que se encontrava na Livraria do Colégio de Todos os Santos, em Ponta Delgada, podemos realçar o facto de que, com a expulsão dos Jesuítas de Portugal, o manuscrito ficou à guarda da família Borges Bettencourt, sendo comprado por Duarte Borges da Câmara Medeiros em 1840, tendo os Marqueses da Praia e Monforte os oferecido à Junta Geral de Ponta Delgada, ficando desde então à guarda da Biblioteca Pública de Ponta Delgada, o qual constitui um dos códices mais notáveis do seu acervo documental. 
De facto, a obra de Gaspar Frutuoso continua a ser de consulta obrigatória para todos os que pretendem desvendar o modo como se processou o povoamento e a ocupação destas ilhas, pouco após o arranque da caminhada de colonização dos Açores.
 Apesar de não ter sido dos primeiros que povoaram as ilhas, ainda conseguiu, graças às suas fontes, descrever a chegada dos portugueses e dos outros povos que arribaram a estas ilhas. A sua ação não recaiu apenas sobre as temáticas religiosas construiu uma obra literária que é um verdadeiro compêndio histórico, e considerado um tratado de corografia renascentista, que espelha bem o seu conhecimento enciclopédico.

António Pedro Costa

Print

Categorias: Opinião

Tags:

Theme picker