Entrevista a José Carlos Almeida

O artista açoriano que tem pinturas na Suécia, na Alemanha, nos EUA e Canadá

 Correio dos Açores - Qual a maior paixão: escultura, pintura ou caricaturista?
José Almeida - A minha paixão é o conjunto destas três áreas da arte, na realidade o que me interessa é criar, seja o que for.

Quando se apercebe do seu talento?
O meu gosto de fazer coisas vem desde a infância, desde a escola primária. Quando era criança, fazia os meus próprios brinquedos.

E qual foi o primeiro brinquedo que fez?
Que me lembre, foi uma carroça de bois, pois vivia numa freguesia rural, os Arrifes, pelo que era o que nos rodeava.

Que sonho de criança gostaria de concretizar?
Na realidade estou a concretizar este sonho, ser livre para fazer o que quero, sem me preocupar com a minha subsistência. É claro que isto só acontece porque durante a minha vida e desde cedo trabalhei para este momento.

Concorda quando o alcunham como autodidacta?
Totalmente, não é alcunha, é a realidade, não tenho formação académica no campo das artes, no entanto, aprendi muito com outros artistas, lendo muitos livros, visitando exposições e principalmente observando, estar atento ao que me rodeia.

Qual tem sido a reacção do público aos seus trabalhos?
A minha percepção é positiva, mas haverá quem goste e também quem não goste.

Que artistas açorianos mais o inspiraram?
Foram vários, mas os principais foram Domingues Rebelo e Canto da Maia, os grandes nomes do universo açoriano.

Qual foi o papel da Academia das Artes de Ponta Delgada na carreira artística?
Ter estado na Academia das Artes foi a coisa mais importante que me aconteceu no campo das artes, foi a partir daí que tive acesso ao meio artístico e poder contactar com outros artistas.

Lembra-se como foi a primeira exposição individual de Pintura, escultura e desenho?
Sim, foi na Academia das Artes, em 1986, onde apresentei trabalhos a óleo, aguarela, pastel, carvão e algumas esculturas. Foi um sucesso naquela altura.

Como encara o mundo da pintura no mercado açoriano?
O nosso mercado é muito limitado, somos uma Região com poucos habitantes e o poder de compra destes objectos é restrito a poucos, pelo que o mercado satura-se depressa.

Qual foi o trabalho artístico que mais satisfação lhe deu executar?
A resposta não é fácil, na verdade, o trabalho que me dá mais satisfação é sempre o que estou a fazer.

Quais as suas mais significativas obras públicas nos Açores?
As que têm mais visibilidade, são o Monumento aos Povoadores na Povoação, o Monumento aos Combatentes do Ultramar em Ponta Delgada, a estátua do cardeal D. Humberto de Medeiros, nos Arrifes, três esculturas no Centro de Saúde de Vila do Porto em Santa Maria e vários bustos colocados em várias ilhas e um nos EUA.

Por onde se encontram as suas obras de pintura e escultura?
A maioria dos trabalhos estão nos Açores, mas também tenho no continente e em vários países como, EUA, Alemanha, Canadá, Suécia.

Como reage, quando encontra na rua uma obra sua?
Com a maior naturalidade, não sinto nada de especial, sinto, sim, uma responsabilidade.

Na vila da Povoação existe a alegórica obra “Porta dos Povoadores”. Qual é o seu simbolismo?
O monumento tem a forma de porta e nas ombreiras estão algumas figuras humanas com características da época dos descobrimentos, está colocado na foz da ribeira e pretende indicar o sítio por onde os primeiros povoadores entraram na ilha de São Miguel.

Podemos considerá-lo um artista do mundo ou restringes-te ao universo açoriano?
Eu sou um artista dos Açores, os meus trabalhos serão de onde os levarem.

Como caracteriza as suas caricaturas: humorísticas, com sentido político ou de tom sarcástico?
As minhas caricaturas são humorísticas, por vezes são de crítica política.

Qual a temática que mais gosta de abordar?
Tenho trabalhado várias temáticas, mas a que mais me agrada é a figura humana.

Onde vais buscar inspiração?
Como já disse anteriormente, procuro estar atento a tudo e observo o que me rodeia com atenção, depois é aproveitar a ideia que surgir.

Qual o sentido do seu lema “Eu não sou o que sou, eu sou o que faço com as minhas mãos” (Louise Bourgeois)?
Esta frase é da escultora Louise Bourgeois. Quando a li, identifiquei-me logo com o seu significado, só me cumpro através do meu trabalho, é fazendo coisas que me sinto vivo e claro que o meu instrumento principal são as minhas mãos.

Qual o próximo projecto?
Gostava de publicar um livro com algumas caricaturas.
                                                       

 

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