Michael Gaylord Smith vai abrir Adega da Caloura

“Há uma comunidade internacional que está a crescer em São Miguel com perspectivas de novos negócios”

 Correio dos Açores - O que tem feito nos Açores?
Michael Gaylord Smith - Encontrei umas ruínas, que adorei, com trabalhos de pedra de mais de 300 anos, com uma altura interior de cinco metros, e consegui um contrato de arrendamento de 10 anos.
Após sete meses de obras pesadas, entre Fevereiro e Outubro de 2003, inaugurámos o bar Colégio 27 (conhecido como o bar dos suecos na Rua Carvalho Araújo, em Ponta Delgada), a 17 de Outubro de 2003. Não estava à espera que fosse um sucesso tão grande, mas o ambiente e o conceito deram certo. Foram muitos anos marcados pela passagem de muitos locais e turistas.
Acabámos por comprar o edifício e ficar 18 anos com o Colégio 27. Vendemos o Colégio 27 em 2018 para poder iniciar o nosso novo projecto na Caloura.
Durante estes anos toquei muito com vários grupos de jazz, latin jazz, entre outros.
Entre 2008 e 2010, tive um restaurante italiano com um rotoforni de lenha.
Tirei carta de mestre de pesca e trabalhei na área de pesca de atum comercial Entre 2013 e 2016 cheguei a vender atum para a Suécia, Estados Unidos e Japão.
Desde 2013, a minha família reside na Caloura, onde iniciamos o nosso projecto corrente na área de hotelaria e restauração.

O que mais o atrai nos Açores?
O mar, o ar e a natureza, assim como a qualidade e o modo de vida, puro e simples; a riqueza incrível e natural da terra e do mar. Além disso, é um sítio que oferece segurança para as crianças crescer. São Miguel tem uma comunidade internacional crescente interessante e com a possibilidade de novos investimentos em várias áreas.

Como surgiu o amor ao saxofone?
 O amor que sinto pelo saxofone é gigante. Tenho que ouvir e tocar saxofone para conseguir lidar com o lado pesado da vida, e faço-o praticamente todos os dias.
O primeiro contacto com o saxofone foi em Estocolmo, quando tinha 15 anos. Entrei num clube de jazz, o Fasching, onde estava a tocar um americano chamado George Adams. A partir daí, o saxofone tenor nunca mais saiu da minha cabeça. São 34 anos a tocar todo tipo de saxofones, de todos as idades. Toco muito com instrumentos com 100 anos de idade. Em época baixa, durante anos, comprei e vendi saxofones entre os Estados Unidos e a Europa.
Actualmente, toco raramente em público, pois estivemos em obras e devido à pandemia de Covid. Todavia, continuo a tocar e a estudar.

Qual a importância do Dia do Saxofonista, na sua opinião?
 Todos os dias são dias de Saxofone para mim. Considero que este devia ser um dia onde se abrisse a porta para iniciantes, tal como aconteceu comigo quando tinha 15 anos, naquele clube, onde tocava o George Adams.

Vai abrir um novo espaço na Caloura. Quer partilhar mais detalhes connosco?
 Vamos iniciar, novamente, noites de música ao vivo na Adega da Caloura, o meu novo projecto, com música de vários géneros. Além disso, teremos jantares de forno de lenha tradicional, grelhados, entre outros, bem como concertos com provas de vinho e outras actividades.

Que mensagem quer deixar neste dia?  
Charlie Parker diz que “a música fala mais alto que as palavras”. Neste sentido, gostaria de deixar algumas recomendações: Angel Eyes de Gene Ammons; Im a Fool to Want You de Dexter Gordon; Lover Man de Charlie Parker; Stardust de Lester Young; Comes Love de Wynton Marsalis; e  live at The Green Space.

Carlota Pimentel

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Autor: CA

Categorias: Regional

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