29 de novembro de 2022

Opinião

A Trilogia do Mal - Ódio, Ressentimento e Mentira

 

Que renasce depois do sucesso dos anos trinta do passado século.
Ressurgimento dos fantasmas que estiveram na origem da segunda guerra mundial.  
Ideias mestras dos novos arautos dos nacionalismos, que faziam do racismo e da xenofobia, acessórios imprescindíveis das lengalengas discursivos dos chefes de fila da nova ordem.
Hoje constitue o alimento da extrema - direita em crescimento na Europa e nas Américas, tendo nas teorias da conspiração e das verdades paralelas, aliados permanentes no descrédito do sistema político e da coexistência democrática.
Nem estão a ser originais, limitam-se a copiar.
Em Portugal depois de vinte anos de democracia, surge a ditadura da extrema - direita, da ordem e da paz social, consolidada com a Constituição de 1933. 
Da estabilidade governativa, cujo governo durou 48 anos, por contraposição dos anos de instabilidade do regime democrático, cujos governos se sucediam, sendo que alguns não chegavam a durar um mês.
Sobressai a figura de António de Oliveira Salazar, que de anónimo professor de Coimbra, lidera um governo dum Estado que se quer Novo e Corporativo. 
Nos Açores foi bem acolhido pelas elites que antes reclamavam mais autonomia, mas que por puro tacticismo esqueceriam este ideário para se submeteram ao centralismo de Salazar, quando perceberam que os seus interesses de terra - tenentes, não seriam beliscados.
Concluindo-se portanto que os excessos cometidos pela 1ª república conduziram à ditadura, isto é, uma vez mais, tal como hoje, a extrema – direita é a herdeira dos desmandos que a esquerda democrática cometeu e que nada aprendeu com a história.
Portugal e os Açores, não podiam ficar de fora, dos ares destes novos/velhos tempos. A extrema – direita, com roupagem adaptada, aí está. Na substância é a mesma. Na forma soube moldar-se com sucesso. 
Por parte dos democratas da direita moderada, as posições são diversas, quanto à normalização desta ressurgida força política radical.
Há os que acham que a melhor forma de lidar com os extremistas é trazê-los para a órbita dos governos, procurando com a sua normalização controlar os riscos que acarretam.
Por outro lado, há os opinam que tal atitude irá incrementar a divisão politica, não só contaminando o debate, extremando posições e dificultando a principal função da politica e da democracia que é reconciliar tendências diferentes. 
Depois tem surgido a expectável discussão da comparação dos extremismos de esquerda e de direita. 
Há os que defendem que ambos são movimentos populistas, mas têm natureza diferente. 
Os da esquerda, embora defendam um regime político, social e económico diferente do que está na Constituição, não a pretendem substituir pela força e aceitam as regras do jogo nela plasmados.
O extremismo de direita anti-sistema defende outra Constituição. 
Têm um discurso público autoritário, achincalhando e interrompendo constantemente os adversários, denotando uma concepção da política inaceitável. 
Na área da direita, há quem ache que se a esquerda já formou governo com a extrema - esquerda, o mesmo poderá acontecer à direita.
Várias personalidades da direita democrática, acham que não é assim e que a conclusão a tirar é precisamente a contrária.
Tendo a experiência à esquerda sido um fracasso, é um forte argumento para a direita não copiar a experiência.
 Concluem ainda, que a melhor forma de lidar com o extremismo de direita é afirmar, peremptoriamente, que não há qualquer margem para acordos, não bastando apenas não falar dele. 
Sobre o acordo de incidência parlamentar, firmado nos Açores, são conhecidas as posições de destacados militantes da direita social - democrata e liberal, que publicamente se manifestaram contra.
A extrema – direita portuguesa tem-se mostrado boa aluna do pregador Steve Bannon e dos acólitos Abascal e Salvini.
Utilizam o jargão do nacionalismo, não só para radicalizarem o discurso como para caírem nas boas graças do povo.
 Albert Einstein referindo-se ao nacionalismo de Hitler costuma compará-lo a “ essa doença infantil, o sarampo da Humanidade”. 
Na última década, diversas democracias evoluíram para regimes despóticos. 
Os iliberais têm em comum uma forma de poder de cima para baixo, com um déspota no topo.
Há eleições periódicas. Dizem-se democratas e tentam seduzir as populações, com ardilosa propaganda demagógica, odiosa, ressentida e mentirosa.
Alteram as constituições e as leis dos seus países de modo a se perpetuarem no poder.
 A Rússia e a Hungria, com a tolerância e indiferença das ainda democracias europeias, são exemplo.
As consequências aí estão, a comprovar que os regimes democráticos correm sério risco de serem substituídos por regimes despóticos sob a forma de plutocracias, isto é, por uma sociedade governada e controlada pelas pessoas mais ricas.
Como, uma vez mais, a história nos diz é muito mais fácil destruir a democracia e muitíssimo mais difícil voltar a erguê-la.
 

António Benjamim

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