Novo anel de fibra óptica entre o continente, Açores e Madeira pretende promover Portugal como plataforma atlântica de amarração de cabos


 A Infraestruturas de Portugal/IP Telecom apresentou ontem um documento na Comissão de Economia, Obras Públicas, Planeamento e Habitação da Assembleia da República a salientar que o novo anel de fibra óptica, “além do principio base de conectividade doméstica (numa perspectiva de continuidade territorial) o objectivo é promover Portugal como uma plataforma atlântica de amarração de cabos (Infra-estrutura Atlântica de Comunicações e Data Hub)”.
O concurso público para a criação do novo anel de fibra óptica será aberto até ao final do ano e o Orçamento de Estado para 2023 já tem as verbas necessárias para o projecto arrancar no próximo ano e ficar concluído em quatro anos.
Será um anel “com redundância total” e “interligação principal e central do Atlântico à Europa, EUA, América do Sul e África”, como “alavanca para a Rede Europeia de Datacenters e Comunicações (Gaia-X).

Sistema vai detectar sismos
e tsunamis

O cabo de fibra óptica parte de dois pontos no continente (Carcavelos e Sines), com dois pontos de ligação na Madeira em Amparo, no Porto, e Machico, na Madeira e dois pontos de ligação nos Açores, em Angra do Heroísmo, na Terceira e Fajã de Baixo, em São Miguel.
A aposta poderá ser feita em CLS existentes, atendendo aos requisitos técnicos, privilegiando um modelo de renda (800k euros cada), alternativo à construção de novas CLS, custando cada uma seis milhões de euros.
A interligação à Rede Nacional de Alto Débito poderá ser feita com quatro ligações internacionais directas e ao PTT Equinix; ou a possível interligação internacional de sistemas de cabos submarinos, através de par de fibra óptica disponível, sem necessidade de “desmodular” o tráfego nas ilhas.
As principais características SMART do Novo Anel CAM sai infraestruturas SMART para detecção sísmica e climática/ambiental; fonte de dados e comunicações de rede científica nacional (FCCN) e internacional (GÉANT), além de uma oportunidade para criação de um centro científico Scientific Research Hub.
O novo anel terá um acelerómetro com aplicação em termos de detecção sísmica e de tsunami,um sismógrafo, para a detecção de sismos e tsunamis, um sensor de pressão para a detecção sísmica, detecção de tsunami e monitorização ambiental, um sensor de temperatura para a monitorização ambiental e um sensor de condutividade, para a monitorização ambiental.

154,4 milhões de euros
de investimento inicial

O projecto requer um  investimento inicial no Orçamento de Estado de 154,4 milhões de euros (CAPEX + despesas de instalação), que “poderá ser parcialmente compensado com o apoio de fundos comunitários”.
Do valor total, 130,9 milhões de euros destinam-se para a CAPEX; 22,5 milhões de euros para a componente SMART; e um milhão de euros de despesas de instalação.
O plano estimado para o projecto técnico do novo anel CAM é de quatro anos. A componente marítima vai demorar 45 meses, com dois contratos, um para fornecedores e outro para fiscalização. Do lançamento do concurso público ao início dos trabalhos no mar estão previstos 9 meses (tempo correspondente à assinatura do contrato de concessão). A implementação dos cabos do anel demorará entre 30 a 40 meses e a aceitação de quatro meses.
Já a componente terrestre demorará 27 meses, sendo necessários entre 2 a 6 contratos. Esta contratação será feita ao longo de seis meses e a preparação e implementação dos trabalhos demorará entre 6 e 12 meses. A aceitação será de quatro meses.
O plano operacional será desenvolvido por uma equipa interna da IPT num período de 30 meses. Ao longo de 24 a 26 meses a Infraestruturas de Portugal vai proceder à contratação de equipas, preparação, formação e implementação.
Nestes termos, a data de entrada ao serviço do novo anel de fibra óptica será em 2026.

O tempo de vida útil
dos cabos antigos

Com o actual anel CAM (Continente-Açores-Madeira), segundo a Infraestruturas de Portugal IP Telecom, a interligação entre o continente e os Açores, ramo doméstico Columbus III (sistema internacional), tem um fim de vida útil de operação até 2024.
A interligação entre o continente e a Madeira, ramo doméstico ATANTIS II (sistema internacional), tem um fim de vida útil de operação em 2025 e a interligação entre os Açores e a Madeira, sistema doméstico, com um fim de vida útil de operação em 2028.

Cabo deve amarar na Lagoa, defende Francisco César

O deputado do PS à Assembleia da República, Francisco César, defendeu ontem a utilização do parque tecnológico da Lagoa como ponto de trabalho para a estação que fará a gestão do novo cabo de fibra óptica nos Açores.
O Vice-presidente do GPPS, que intervinha no âmbito da audição parlamentar à IP - Infraestruturas de Portugal, a propósito da substituição dos cabos submarinos, manifestava, assim, a sua preocupação com o recurso à utilização das antigas estações, por considerar que essas mesmas estações são “de um dos players do mercado que no passado foi acusado pelos concorrentes de ter uma posição dominante”.
Mas, para o parlamentar, e estando o cabo de amarração em São Miguel, no município da Lagoa, ao instalar a estação no parque tecnológico da cidade “poderíamos contribuir para um factor acrescido de produtividade”.
“A pouco mais de um quilómetro do cabo de amarração, na Lagoa, há um parque tecnológico. O município comprometeu-se em ajudar na infraestruturação de todo esse projecto, no sentido de se poder ter, nesse local, a estação que faria a gestão do cabo de fibra óptica”, recordou o socialista, para acrescentar, por outro lado, “que a gestão da Altice fica, pelo menos, a 10 km da entrada em terra, na ilha de São Miguel”.
De acordo com Francisco César, e caso seja instalado neste local, “poderíamos juntar o útil ao agradável: não só não tínhamos um player a arrendar as suas instalações, como poderíamos colocar no parque tecnológico um factor acrescido de produtividade”. Durante a sua intervenção, o deputado questionou ainda o Presidente da IP, Miguel Cruz, quanto aos actuais cabos submarinos, perguntando, nesse sentido, “o que está previsto, ao nível da sua manutenção e garantias do serviço, até ao momento em que os novos cabos estejam instalados”.

João Paz

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Autor: CA

Categorias: Regional

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