Catarina Gaspar, no Dia Internacional dos Direitos Humanos

“Nos Açores, vemos com satisfação um forte movimento social pela defesa da igualdade”

 Catarina Gaspar é responsável pelo Núcleo Local de São Miguel da Amnistia Internacional que foi constituído no final de 2019 e tem desenvolvido diversas acções no âmbito dos Direitos Humanos. Em entrevista ao Correio dos Açores, afirma que “na Região, vemos com satisfação o aparecimento de associações como a (AMAR) ou o sucesso de iniciativas como a IMPROPRIA, representativas de um forte movimento social pela defesa da igualdade.”

 Correio dos Açores - O que representa a comemoração do Dia Internacional dos Direitos Humanos?
Catarina Gaspar (Coordenadora do Grupo Local de São Miguel da Amnistia Internacional) - Celebramos o Dia Internacional dos Direitos Humanos a 10 de Dezembro, data em que, no ano de 1948, foi adoptada a Declaração Universal dos Direitos Humanos pela Assembleia Geral das Nações Unidas. É um momento de celebração das conquistas e de destaque do trabalho a fazer na defesa dos Direitos Humanos.
 
Qual a importância de fazer valer os Direitos Humanos?
Defender os Direitos Humanos é defender que todos temos direitos e liberdades fundamentais, sem distinção de nacionalidade, local de residência, sexo, origem nacional ou étnica, religião, língua ou qualquer outro estatuto.
 
Como vê o actual cenário da defesa dos Direitos Humanos no planeta, em Portugal e nos Açores?
O trabalho da Amnistia Internacional é, sobretudo, de investigação e divulgação de violações de Direitos Humanos no mundo, pressionando os governos ou organizações a terminarem essas práticas. Ultimamente, alguns casos têm carecido de mais atenção, nomeadamente a guerra na Ucrânia, a falta de liberdade de expressão no Irão ou as violações de direitos humanos no Catar. Contudo, parece-nos que também há novidades positivas a destacar. Por exemplo, nos Açores, vemos com satisfação o aparecimento de associações como a (AMAR) ou o sucesso de iniciativas como a IMPROPRIA, representativas de um forte movimento social pela defesa da igualdade.
 
O que ainda falta para que esses direitos sejam efectivamente respeitados nestas três dimensões?
Todos os dias quando são identificados abusos de Direitos Humanos, a Amnistia Internacional investiga os factos, expõe o que está a acontecer e reúne as pessoas para forçar os governos e outras entidades e indivíduos a respeitarem os Direitos Humanos de todas as pessoas. Acreditamos que o respeito dos Direitos Humanos depende desse compromisso entre cidadãos para que juntos façamos a mudança acontecer. Pequenos actos de solidariedade, empatia e generosidade são transformadores.
 
Como é que se pode incutir a defesa dos Direitos Humanos nas escolas, desde cedo?
A Amnistia Internacional tem dedicado muitos recursos à Educação para os Direitos Humanos, através da qual queremos plantar sementes de activismo para os Direitos Humanos. Colaboramos regularmente com centenas de escolas em todo o país para desenvolver uma cultura para os Direitos Humanos, complementando a acção educativa desenvolvida em cada escola. Além disso, a Amnistia Internacional é uma entidade formadora certificada pela DGERT e pelo Conselho Científico-Pedagógico da Formação Contínua de Professores.
 
Como se pode alterar a visão das pessoas para que respeitem e defendam os Direitos Humanos?
Sem dúvida, através da educação.
 
Qual a evolução da defesa dos Direitos Humanos desde a época que começou a actuar até os dias de hoje?
A Amnistia Internacional foi fundada em 1961 pelo advogado britânico Peter Benenson, inspirado pelo caso de dois estudantes portugueses presos por brindarem em público à liberdade. Nessa altura o enfoque era a abolição da tortura e da pena de morte, missões que tiveram grande alcance, com a erradicação destas práticas em múltiplos países. Hoje, a Amnistia tem se focado na defesa da liberdade de expressão. A luta pelos Direitos Humanos vai sofrendo mutações, mas tendo sempre o objectivo de promover que governos, outras entidades e indivíduos respeitem os Direitos Humanos de todas as pessoas.

É possível identificar em Portugal e nos Açores quem tem mais os Direitos Humanos postos em causa?
Não dispomos destes dados concretos, mas possivelmente tratam-se de minorias vulneráveis.
 
Como vê a efectividade de organizações internacionais de defesa dos Direitos Humanos, como por exemplo, a ONU, a Amnistia Internacional?
Cada organização tem o seu âmbito de actividade, missão e organização. A Amnistia Internacional é uma organização não governamental, constituída por indivíduos, complemente independente de Estados ou governos. Dedicamo-nos à investigação, à advocacia política, à divulgação e à educação. Todos os anos partilhamos no fim do ano os casos de sucesso da nossa actividade que provam que a humanidade pode sempre sair vencedora. Apenas para mencionar duas vitórias de 2022: na Polónia, a acção da Amnistia foi fundamental impedir a condenação de três mulheres acusadas de “ofender crenças religiosas” após a distribuição de cartazes da Virgem Maria com uma auréola do arco-íris LGBTI; no âmbito da longa campanha da Amnistia Internacional para a abolição global da pena de morte, a Papua Nova Guiné tornou-se no mais recente país a abolir a punição, 30 anos após a sua reintrodução, em 1991.
 
Está optimista em relação ao futuro em termos de defesa dos Direitos Humanos?
Estamos sempre optimistas. Vivemos num mundo desafiador em que todos os dias nos chegam notícias e relatos de abusos dos direitos humanos, de milhares de pessoas mortas por causa de conflitos ou crises, ou de pessoas que perdem os seus direitos ou liberdades injustamente. Contudo, temos que reconhecer as conquistas já alcançadas e não desmoralizar. Quanto ao resto, trabalhamos para que a justiça e a liberdade sejam uma realidade para todos e todas. Esta é a nossa missão.

Que mensagem quer deixar neste dia?
A luta por um mundo mais justo está nas nossas mãos. Com apenas uns cliques todos podemos fazer a diferença. Visitem o site da Amnistia Internacional (www.amnistia.pt) e assinem as nossas petições da Maratona de Cartas, o maior evento mundial de activismo pelos Direitos Humanos.

Há algo que queira acrescentar?
Convidamos todos e todas a seguirem o nosso trabalho nas redes sociais e que se juntem a nós na defesa dos Direitos Humanos.

                 
Carlota Pimentel

 

 

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Autor: CA

Categorias: Regional

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