Grupo Ilha Verde espera venda de viaturas com “crescimento moderado” em 2023

Correio dos Açores – Que balanço faz do ano de 2022 no que diz respeito à venda de automóveis através da perspectiva do Grupo Ilha Verde (GIV)?
Antero Rego – Fazendo um balanço de 2022, um ano particularmente atípico e muito desafiante, marcado, ainda, pelo período pós-pandémico, que provocou enormes constrangimentos no fornecimento de matérias-primas à indústria automóvel e por uma guerra na Europa. O conjunto destes factores contribuiu para novos modos na oferta e na procura. Vivemos um contexto macro-económico adverso e com alterações constantes, o que dificultou a nossa performance no mercado local. Pelos dados do Serviço Regional de Estatística dos Açores (SREA), verifica-se uma melhoria na ordem dos 10% na venda de viaturas novas nos Açores, onde o Grupo Ilha Verde (GIV), apesar dos constrangimentos enumerados, acompanhou a tendência do aumento de vendas do mercado. No entanto, os atrasos na chegada de viaturas não permitiu terminar o ano como perspectivávamos.

Esses constrangimentos vêm ainda da pandemia ou envolvem já a guerra?
A pandemia ainda deixa alguma marca através da dificuldade que há em relação a algumas matérias-primas, mas também a guerra tem vindo a contribuir negativamente para esta situação. Há uma melhoria, efectivamente, de 2021 para 2022, com alguns contratempos que se espera que em 2023 possam melhorar. Estamos em crer que em 2023 estas situações de constrangimentos na fabricação dos automóveis tendem a esbater-se e a melhorar.

Que expectativas existem em relação a 2023 no que ao comércio automóvel diz respeito?
O que se perspectiva para 2023 é um ano muito idêntico a 2022. Não se prevê ainda um ano muito melhor porque há um conjunto de incertezas, para as quais não temos respostas concretas. Não quero repetir-me, mas os problemas na logística internacional, as questões de falta de matérias-primas e a situação da guerra na Ucrânia, são factores que vão acompanhar-nos ainda durante algum tempo e que pela sua imprevisibilidade vão dificultar a venda de viaturas novas nos Açores, com constrangimentos desde a fabricação das viaturas até à entrega ao cliente final. Mesmo com um cenário pouco optimista, estamos a preparar o nosso plano de negócio para um crescimento moderado.

Prevendo-se uma redução no poder de compra da população em 2023, o GIV teme que possa haver uma diminuição no número de viaturas compradas?
Havendo um aumento do custo de vida e as pessoas tendo menos capacidade financeira, naturalmente que nos preocupa. Certamente que poderá causar alguns constrangimentos na venda de viaturas mas com as políticas comerciais que dispomos e de financiamento especifico para o automóvel, estamos em crer que vamos conseguir mitigar esta possível redução no poder de compra. Estamos atentos a esta nova realidade e vamos acompanhar o evoluir da situação. Por outro lado, temos assistido positivamente às ajudas por parte do Governo para minorar este aumento do custo de vida e outras medidas que o Banco Central Europeu possa adoptar durante 2023, assim, acreditamos que a economia no seu todo possa reequilibrar-se.

As dificuldades económicas que se têm feito sentir nos últimos anos têm feito com que os carros usados sejam vendidos em maior número?
Tudo tem a ver com a lei da oferta e da procura.  De facto, o mercado de carros usados é maior do que o mercado de carros novos. Temos registado um aumento de vendas de viaturas usadas ao longo dos últimos anos, não pelas dificuldades económicas que aponta mas sim pela dinâmica do próprio mercado de viaturas usadas, com maior e melhor oferta, contribuindo para melhorar as garantias a quem opta por comprar um carro usado.

Em termos de escolha, que tendências se verificam no mercado açoriano actualmente no que diz respeito à compra de viaturas?
No mercado açoriano há, naturalmente, uma preferência por preços mais baixos, uma vez que a maioria das vendas são de carros mais utilitários. Porém, o que se tem verificado é que, com a nova tecnologia, com os novos modelos electrificados, há também alguma apetência de algum segmento de mercado para adquirir veículos mais ecológicos. Por esse motivo, neste momento, os carros mais ecológicos, pela novidade da tecnologia que é utilizada, são naturalmente mais caros. Em geral, tem havido um misto de procura, a maior fatia de mercado por viaturas de preços médios e baixos e um outro segmento em crescimento por viaturas electrificadas.

E entre viaturas novas e usadas, quais as que são compradas mais frequentemente no mercado açoriano?
Não é fácil comparar viaturas novas e viaturas usadas, são mercados que correm em paralelo e que têm o seu mercado natural. Têm vindo a ter a mesma procura que têm tido nos últimos anos, o que tem vindo a variar é a oferta, uma vez que a venda de automóveis usados está intimamente ligada com a venda de automóveis novos. Ou seja, quando vendemos um carro novo, recebemos um carro usado que colocamos novamente no mercado e, havendo atrasos e constrangimentos na entrega de viaturas novas, com certeza que atrasa a chegada de viaturas usadas ao mercado. Para melhor esclarecimento e tentando responder à pergunta, o mercado de viaturas usadas em dimensão é, pelo menos, o dobro ou o triplo do mercado de viaturas novas.

O Grupo Ilha Verde vai continuar a investir em novos modelos de carros eléctricos em 2023?
A maior parte dos carros que comercializamos são ainda a combustão (…), mas as marcas que representamos estão fortemente a investir e a caminhar nesse sentido da electrificação até por exigência da legislação, por isso iremos, obviamente, acompanhar esta tendência natural do mercado.

Sabendo que existem empresas, algumas em nome individual, que compram carros em segunda mão no norte da Europa e que os vendem em São Miguel por preços mais baixos, podemos falar em concorrência desleal ou é isto resultado do mercado a fluir?
É a dinâmica do mercado. Há empresas que têm feito importação de viaturas usadas. Nós, na Ilha Verde, não temos optado por esse canal de importação, mas é um canal natural, que existe, e que é completamente legítimo para quem o fizer.
São opções que as empresas fazem e que podem tomar. Não somos contra nem a favor, compreendemos quem o tenha que fazer, se estivermos todos a funcionar em pé de igualdade, está tudo certo. Para já, sendo de uma forma legal, com uma constituição de uma Sociedade ou de uma empresa é perfeitamente natural.
Se forem particulares que vão buscar essas viaturas ao exterior mas que praticam comércio automóvel, aí é uma concorrência desleal porque nós, empresas, temos um conjunto de custos que temos que assumir e repercutir no negócio e que pela qual não conseguimos competir com quem está a fazer negócios paralelos, e aqui sim, consideramos concorrência desleal e esperamos que as autoridades competentes possam estar atentas a estas situações.

Joana Medeiros

 

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Autor: CA

Categorias: Regional

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