Alunos da Escola Secundária da Lagoa concretizaram o sonho de falar com um astronauta no espaço

Foi com a frase tantas vezes escutada nos filmes “I’m hearing loud and clear” que às 17h18m, o astronauta Josh A. Cassada, a bordo da Estação Espacial Internacional, iniciou a comunicação (apenas via áudio) com um grupo de 19 alunos do Clube de Astronomia, Geocaching e Multimédia da Escola Secundária da Lagoa.
O momento há tanto aguardado pelos alunos, aconteceu na Delegação da ANACOM nos Açores e já estava a ser preparada há cerca de um ano e meio. Após a ansiedade que se sentia na sala antes do ‘Hora H’, os alunos foram colocando algumas questões ao astronauta que referiu ser uma sensação “incrível” estar no espaço e ter conseguido concretizar um dos seus objectivos de vida.
Cassada, que está no espaço há cerca de 4 meses, foi explicando que os astronautas têm “de fazer exercício 2h30 por dia”.
“Se não o fizermos, os nossos ossos vão perder bastante massa quando regressamos. Por isso tentamos manter-nos fortes ao nível dos músculos e ossos. Os órgãos tendem a portar-se bastante bem, mas existem certamente algumas alterações”, destacou.
Outra das questões colocadas, prendia-se com o que sucederia caso algum dos elementos da equipa necessitasse de ajuda médica.
“Todos recebemos treino básico para que possamos cuidar uns dos outros perante esse tipo de situações. Podemos sempre ir para um salva-vidas, que é a nave em que voamos para cá, e podemos ir para casa em 4 ou 6 horas se precisarmos”, explicou.
O astronauta norte-americano revelou também que os dias na estação “são muito movimentados. Fazemos várias experiências pedidas pelos cientistas que estão em terra para além de termos de fazer muitas outras actividades de manutenção da estação espacial. É muito grande, complexa e está a ficar um pouco velha. Por isso há muito para fazer”.
Sobre o que faz quando se aborrece nesta missão, Josh Cassada afirmou que “nunca me aborreço porque estamos constantemente ocupados. Quando isso não acontece, nem que seja simplesmente olhar para a janela e olhar para o nosso magnífico planeta”, que é algo que classifica como recompensante.   
Exactamente 11 minutos depois a Estação Espacial, que se encontrava a mais de 400 kms da Terra e a uma velocidade de 28.000kms por hora, terminou abruptamente o seu contacto.

Reacções dos alunos
João Correia, aluno do 12º ano, explicou que este grupo já se encontrava “há cerca de um ano e meio a preparar-se para este momento. Envolvemo-nos em vários projectos e tivemos de assistir a várias sessões. Trabalhamos muito neste projecto”, começou por dizer.
O aluno admitiu que “o coração começou a palpitar mais forte” quando chegou a sua vez de colocar uma questão a Cassada.
“Foi uma experiência fantástica e, claro que não teríamos conseguido sem a ajuda dos nossos professores, dos nossos colegas. Esta é uma experiência de uma vida”, classificou João Correia.
Também Aurora Correia, aluna do 12º ano, admitiu ter sentido “muitos nervos”.
“É muito gratificante estar aqui. Desde pequena que sempre tive muito interesse pelo Espaço e agora poder falar com um astronauta e ele responder à minha pergunta é muito bom”, salientou.
A aluna referiu também que “falar com um astronauta que está no espaço não parece real. É difícil acreditar, mas foi possível e conseguimos realizar isso com trabalho e dedicação”.
Aurora Correia disse ainda, entre risos, que o seu objectivo “já foi ser astronauta quando era mais nova”.
Luís Machado, coordenador daqueleClube da Escola Secundária Lagoa admitiu sentir-se “cansado, mas muito feliz” após a concretização desta ‘missão’.
Destacou que o objectivo, alcançado após um ano e meio, só foi possível “com o esforço dos alunos, dos professores de várias entidades porque estas coisas não são fáceis”.
Luís Machado contou ainda como nasceu a ideia de contactar um astronauta da NASA.
“Este era um clube de Geocaching e há 5 anos atrás havia dois alunos que queriam registar a caixa espacial, mas isso não era possível porque não tinham estado lá. Disseram-nos depois que isso poderia acontecer e se existisse uma videoconferência, que a NASA autorizava”.
O coordenador do Clube realçou ainda que “temos 12 alunos que irão participar no campeonato nacional do CanSat, (lançamento de satélites) e este ano vão continuar a ocorrer muitas actividades mas, para o ano, contamos repetir esta conversa mas em vídeo”.  
                                       

Luís Lobão

 

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Autor: CA

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