Cooperativa Leite Montanha do Pico regista aumento de 250 mil euros de facturação no ano passado

 A Cooperativa Leite Montanha aumentou a sua facturação anual em aproximadamente 250 mil euros. A informação, referente ao ano de 2022, foi avançada por Jorge Pereira, Presidente da Cooperativa da ilha do Pico, que explicou a principal justificação para o crescimento verificado.  
“O ano passado tivemos uma diminuição de 600 mil litros de leite, mas conseguimos, fruto da alavancagem dos preços lácteos, aumentar a nossa facturação”, afirmou.   
Para além disso, Jorge Pereira realça igualmente a importância de a Leite Montanha “ter conseguido diminuir o peso da produção de queijo de barra”. Apesar da diminuição de leite recebido, a Cooperativa tem a clara “intenção de aumentar o peso dos produtos de maior valor”.
Os problemas financeiros da Leite Montanha são amplamente conhecidos e, a esse propósito, Jorge Pereira revelou que o passivo “diminuiu junto da banca cerca de 80 mil euros”
“É um valor pouco representativo tendo em conta o empréstimo de 3 milhões de euros”, salienta.
O Presidente da Cooperativa admite “ligeiros atrasos” no pagamento a alguns fornecedores, mas garante que, relativamente aos produtores, esses pagamentos “estão em dia”.
“Conseguimos manter isso em dia, fruto da parceria que estabelecemos com a empresa do continente, o Grupo RTM, que tem permitido à Cooperativa manter as portas abertas”, destaca.
Jorge Pereira revela ainda que a cooperativa picoense aguarda “um apoio do Governo referente a uma portaria que foi publicada agora em Dezembro. Estamos a falar de um valor de 500 mil euros”.
O Presidente do Conselho de Administração da Leite Montanha admite que a tarefa de liderar a Cooperativa “não tem sido fácil”.
“Temos aqui esta luta que nos prende um pouco e não nos permite ter uma gestão mais calma. Andamos sempre aqui com o coração nas mãos na gestão financeira desta indústria”, releva.
 Apesar da situação, Jorge Pereira lembra a “história interessante” nos produtos lácteos na ilha do Pico e considera que “o sector leiteiro tem potencial”.
“Infelizmente herdamos aqui uma condição complexa na indústria de lacticínios. Uma indústria que foi claramente mal dimensionada para a produção que tínhamos”, afirma.
 Relativamente às perspectivas futuras, o Presidente desta Cooperativa destaca que o investimento realizado “em duas novas câmaras de cura, permite-nos aumentar a produção de produtos de valor acrescentado”.
“A nossa expectativa é continuar a aposta nos produtos diferenciados em contraponto com a diminuição do queijo de barra para que possamos aumentar, ou pelo menos manter, este trajecto”, realça.
Já na vertente da despesa, “estamos a trabalhar na preparação de uma candidatura ao PRR para adquirimos alguns equipamentos que permitam maximizar a produção destes produtos de valor acrescentado. Vamos também concorrer a medidas como o Solenerge para que tenhamos uma diminuição nos custos de energia”, explica.

Futuro da Cooperativa
Questionado sobre a possibilidade da Cooperativa Ilha Montanha, tendo em conta a sua delicada situação financeira, poder encerrar a sua actividade, Jorge Pereira é taxativo.
“Neste momento, e pelo menos da parte da Direcção, não é nossa intenção fechar e deixar cair a fábrica. Estamos claramente a estudar todas as alternativas, mas sempre com o intuito de manter a produção de leite no Pico. Como disse, estamos a preparar alguns projectos de investimento e a aproveitar o PRR para equipar a fábrica. Por outro lado, vamos reduzir alguns custos com a água e também com a energia”, garante.
Apesar disso, o Presidente do Conselho Administração admite que a situação da Cooperativa “é sempre complexa. Não o negamos e toda a gente tem essa consciência”.
Jorge Pereira afirma ainda que sem o apoio financeiro do Governo Regional dos Açores, é praticamente impossível garantir a sobrevivência da Leita Montanha.
“Infelizmente, não é orgulho nenhum, a Cooperativa depende de apoios públicos e se o Governo decidir que não há apoios, torna-se muito difícil a médio prazo. Se não conseguirmos equilibrar as contas e o Governo decidir não apoiar não vamos conseguir manter a porta aberta. Isso não é novidade para ninguém”, afirma.
Nessa medida, o responsável por esta Cooperativa da ilha do Pico salienta que todos na instituição devem “ter a consciência de que temos de fazer o nosso trabalho para que isso não aconteça”.
“Temos de mostrar que estamos a produzir produtos de valor e que estamos a fazer o possível para equilibrar as contas”, refere.
Actualmente com 23 produtores a entregar o seu leite na Cooperativa, Jorge Pereira revela que a Leite Montanha arrancou, durante o ano passado, com a produção de queijo de cabra, “um projecto muito interessante”.
“É de apenas um produtor e já o temos à venda no mercado local. Temos uma versão em queijo fresco e outro em queijo curado”, destaca.      
                                        

Luís Lobão

 

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Autor: CA

Categorias: Regional

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