Magma 11-11 é a nova loja da micaelense Maria Sousa que vende produtos dos Açores no Seixal

Maria Sousa saiu de São Miguel para estudar Direito em Lisboa quando tinha 17 anos, mas cedo percebeu que aquele não era o caminho traçado para si, tendo trocado Direito por Medicina Chinesa, profissão que exerce actualmente. Aos 31 anos, surgiu um novo projecto na sua vida, nomeadamente a possibilidade de abrir uma loja na margem sul, zona de onde o marido é natural.
Para a micaelense natural dos Arrifes, o ambiente de uma loja de decoração é-lhe familiar, remetendo para a sua infância que foi passada na loja de decoração que os seus pais tinham no Largo da Igreja da Saúde, designada o Bispo. “Os meus pais tinham uma loja nos Arrifes que vendia artigos de decoração, material eléctrico, tintas, mobílias, entre outras coisas, pelo que posso dizer que cresci numa loja de decoração. Entretanto, os meus pais faleceram e a loja foi fechada recentemente. Surgiu a ideia de ser eu a abrir uma loja e decidi arriscar.”
Desde o surgimento da ideia, no final do mês de Agosto, à sua concretização, em Outubro, vai uma curta distância. O que descreve como um misto de coragem e loucura, Maria Sousa pôs mãos à obra e conseguiu abrir a loja em 20 e poucos dias, na medida em que o seu objectivo era aproveitar, o mais possível, a altura que antecede o Natal, pois esta é uma época benéfica para o comércio.  
“Decidi que, ao abrir, fá-lo-ia antes do Natal, pelo que foi uma oportunidade rápida e eu tive que aproveitar. A ideia surgiu no final de Agosto, encontrei um espaço a 4 de Outubro, salvo erro, e abri portas no dia 30 do mesmo mês. Portanto, montei a loja em 20 e tal dias. Apesar de ter sido uma loucura, senti que era agora ou nunca e estou contente por tê-lo feito.”
Quanto à escolha do nome Magma 11-11, Maria Sousa confessa que é claramente uma ligação a casa, mais concretamente a São Miguel, ilha que a viu nascer. Conforme explicou a terapeuta de medicina chinesa, magma foi a palavra escolhida por estar relacionada com a energia dos vulcões e 11-11 com a sua data de nascimento, visto que nasceu no dia 11 de Novembro, além de que, normalmente, este é um número que a acompanha: “Não raras vezes, mexo no telefone e são 11h11. O outro dia estava no trânsito, e o ano e o mês do carro que parou à minha frente eram 11/11. São exemplos ridículos, mas normalmente são pequenos sinais que vão aparecendo e que nos acompanham.”  Aliás,  Maria Sousa revelou que, inicialmente, até ponderou abrir a loja a 11 de Novembro, no entanto, como conseguiu terminá-la mais cedo, resolveu inaugurá-la o quanto antes: “A loja teria sido aberta no dia 11 de Novembro, mas, entretanto, como estava pronta mais cedo, achei que seria pouco inteligente tê-la completa, de portas fechadas, apenas para abrir no dia 11/11”, afirmou a açoriana.  
Louças das Caldas, velas, produtos de artesanato, alguns têxteis, sacos do pão com peneiras feitos em linho de tear, canecas em caixas bonitas, caixas com chocolates italianos, latinhas decoradas onde se podem colocar bolachas, amêndoas da Páscoa, café, ou o que se desejar, são alguns dos artigos que se podem encontrar à venda na Magma 11-11. No entanto, o factor mais diferenciador da loja são os produtos dos Açores, designadamente os chás da Gorreana, os gins, os licores, alguns vinhos dos Açores, os rebuçados, os queijos e, como não podia faltar, os bolos lêvedos típicos do Vale das Furnas.
Maria Sousa elucidou que a ideia inicial incidia apenas em artigos de decoração e admitiu que vai adicionando produtos à loja a pedido dos clientes, conforme o que estes procuram: “Os produtos dos Açores surgem, porque as pessoas aperceberam-se que sou micaelense e começaram a pedir-me esses artigos. Então, trouxe para a loja uma selecção dos produtos mais procurados dos Açores.”
A proprietária da Magma 11-11 descreve a sua loja como um misto de artigos de decoração com produtos alimentares, composta maioritariamente por “coisas pequeninas e fofinhas, sempre com bom gosto de preferência”
Quanto ao feedback dos clientes, Maria Sousa afirma que estes gostam e considera interessante que as pessoas reconheçam os produtos dos Açores, e que gostem deles ao ponto de os quererem ter mais perto de si: “Em Lisboa há vários sítios que vendem produtos dos Açores, mas, na margem sul, que eu tenha conhecimento, não há nenhum. É interessante que os produtos dos Açores tenham qualidade, que esta seja reconhecida e que as pessoas os procurem.”
A micaelense refere que o balanço faz destes meses de experiência da Magma 11-11 é positivo, embora trabalhoso, e que lhe tem proporcionado muita alegria: “Para um projecto que está a começar, não me posso queixar. Acima de tudo, tem-me dado muita alegria. Gosto muito de trabalhar com pessoas, de estar com elas e perceber que cada uma delas é uma porta aberta, assim como uma boa oportunidade para conhecer mais pessoas. Em termos profissionais, este tem sido um período bom e que me deixa satisfeita com o projecto que iniciei”
Apesar de o balanço ser positivo, nem tudo são rosas e um dos desafios que Maria Sousa enfrenta actualmente é o de conseguir conciliar a loja com a medicina chinesa, o seu primeiro amor: “Nesta fase inicial, ainda estou a tentar encaixar os horários da melhor forma possível. Por exemplo, há dias em que me levanto às 06h30, às 07h00 saio de casa e às 08h00 estou em Lisboa a dar consultas, terminando às 09h30 para vir abrir a loja no Seixal. Depois, ao fechar a Magma 11-11, volto a Lisboa para “fazer domicílios”. Além disso, desloco-me uma vez por mês a São Miguel para dar consultas de medicina chinesa e não é fácil conciliar as viagens”, refere Maria Sousa.  
Todavia, como a Magma 11-11 é um projecto embrionário, Maria Sousa espera que, no futuro, consiga ter alguém que a ajude na loja para poder dedicar-se a ambas as actividades com mais disponibilidade, tanto a nível físico como mental.
“Costumo dizer que a medicina chinesa é algo que me dá muito prazer, mas a Magma 11-11 dá-me uma alegria completamente diferente, que não consigo explicar. Este é mesmo um projecto que me deixa muito feliz”, afirmou.  
Quando questionada se estaria disposta a deixar a medicina chinesa para se dedicar inteiramente à loja, Maria Sousa respondeu, entre risos, que esta é a pergunta que não quer calar, mas para a qual a própria ainda não tem a resposta: “Só sei dizer que, de facto, se for isto que me fizer mais feliz e se eu vir que não tenho condições para conseguir manter os dois… Não consigo decidir já, quando chegar à altura logo se vê.”
Em termos de perspectivas de futuro para a Magma 11-11, a sua proprietária deseja que esta tenha o máximo de sucesso possível, elucidando que está preparada para trabalhar e agarrar o que a vida lhe trouxer, à semelhança do que fez no início na abertura da loja.


Carlota Pimentel *

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Autor: CA

Categorias: Regional

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