Quatro estudantes universitárias de Évora fazem voluntariado em Ponta Delgada a partir do Colégio de São Francisco Xavier

Maria Guilherme, Madalena Vaz Freire, Carminho Assis e Graça Noites aproveitaram a interrupção lectiva na Universidade de Évora para, durante uma semana, se dedicarem à ajuda ao próximo. As quatro jovens de 18 anos que estudam, respectivamente, Engenharia, Enologia, Design e Medicina Dentária, foram recebidas no Colégio São Francisco Xavier a partir de onde, e com a orientação da Irmã Domingas Lisboa, Directora do Colégio, participaram em acções de voluntariado em várias instituições de cariz social da cidade de Ponta Delgada.
O Correio dos Açores foi conversar com as jovens voluntárias neste Colégio da Congregação de São José de Cluny e perceber, desde logo, como teve início esta ‘aventura’.
“Existe algo chamado Missão País que acontece em várias universidades. Inscrevemo-nos as quatro, mas apenas a Graça conseguiu entrar. Queríamos muito fazer esta missão e então contactei o meu padrinho, o padre Pedro Maria, para perceber se havia algo que pudéssemos fazer cá para ajudar. Ele falou depois com a Irmã Domingas que é uma espécie de Centro de Emprego (riso). Conseguiu-se acertar tudo, conversei com estas três amigas que aceitaram prontamente”, explica Maria Guilherme.
As voluntárias estão em Ponta Delgada desde o passado dia 13 de Fevereiro e têm tido uma semana preenchida. “Foi esse o plano que a Irmã Domingas traçou”, refere Graça Noites.
“Foi-nos atribuída, de manhã, uma sala onde estamos com as crianças do colégio. Também ajudamos nas refeições e em tudo o que for preciso”, realça a jovem.
Só no período da tarde é que as jovens saem das portas do Colégio, período onde ajudaram em locais e tarefas variadas.
“Estivemos numa instituição de pessoas com deficiência mental e no Banco Alimentar. Ajudamos também em algumas tarefas na Quinta do Agricultor e, no fim de semana, vamos ao Lar Luís Sores de Sousa, rezamos o terço em casa de senhoras que vivem sozinhas e animamos as eucaristias”, especifica Madalena Vaz Freire. Para além disso, afirma Madalena com entusiasmo, “amanhã (Sábado) vamos ajudar na distribuição de refeições a pessoas sem-abrigo”.
A motivação para estas acções de voluntariado, salienta Maria Guilherme passa por “saber que podemos ajudar os outros e podermos transmitir um bocadinho da nossa alegria. No fundo, com pouco podemos melhorar a vida de outra pessoa”, diz com um sorriso.
A sua amiga Carminho Assis concorda com a perspectiva apresentada e conta que “quando surgiu a oportunidade de nos inscrevermos nas missões passou-me completamente ao lado porque estava numa época de apresentações. Quando a Maria me falou desta ideia disse logo que sim sem mesmo perguntar aos meus pais (risos). É espectacular estar aqui, desempenhar a nossa missão e ver o sorriso na cara das pessoas. É o que me deixa mais feliz”, enfatiza.
Também Graça Noites fala da felicidade sentida no desempenho desta missão.
“Todas as pessoas que participam em voluntariado ou em missões pensam que têm muito para dar e acaba por ser completamente o contrário. Somos nós quem acabamos por receber muito mais do que aquilo que demos”, destaca.
As quatro voluntárias garantem que esta é uma experiência a repetir no próximo ano.
“Já está combinado. A Irmã Domingas disse que havia mais 17 quartos e se calhar enchemos o Colégio”, antecipam.

Irmã Domingas Lisboa: “Este era um desejo que já tínhamos há bastante tempo”
No centro deste grupo e desta missão está, literalmente, a Irmã Domingas Lisboa. Com um sorriso no rosto, a Directora do Colégio demonstra a sua satisfação com a presença das quatro voluntárias.
“Estou muito satisfeita e isto faz parte da nossa missão. Para além de educar, uma das nossas missões é também evangelizar (…) estar atento ao próximo, acolher jovens e prepará-los para a missão”, garante.
A Irmã Domingas Lisboa salienta que “este era um desejo que já tínhamos há bastante tempo”.
“Anteriormente tivemos um grupo de 15 jovens que iam para a Guiné-Bissau. O noivo de uma delas faleceu num acidente, esse grupo ficou muito marcado por isso e não conseguiram avançar. Estivemos durante um ano em formação de primeiros socorros, a nível relacional e cultural. É uma cultura totalmente diferente e daí a necessidade de dois anos de preparação porque vão encontrar realidades totalmente diferentes”, conta. A Directora do Colégio de São Francisco Xavier destaca que “fazem falta mais voluntários” e elogia a decisão tomada por este grupo de voluntárias.
“Jovens desta idade podiam estar noutras aventuras e virem para esta missão de cariz social é um acto de louvar. Penso que muitos jovens não são capazes de arriscar e estas jovens acabaram por fazê-lo e por deixarem a sua zona de conforto para realmente se darem aos outros”, reforça.
Garantindo que “os quartos estão sempre disponíveis para elas e para todos”, a Irmão Domingas Lisboa considera, tendo em conta a “sociedade materialista” de hoje, ser “necessário valorizar cada vez mais aspectos da interioridade”.
“Iniciamos há dois anos um retiro espiritual com padres especialistas nestas áreas (padres jesuítas). Tivemos um grupo em Março do ano passado, em Dezembro repetimos com outro e agora já temos um grupo esgotado para voltar a participar em Março”, salienta com orgulho.
                               

Luís Lobão   

 

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Autor: CA

Categorias: Regional

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