Pedro Drumond Sousa é madeirense e está há três anos em São Miguel

“Gosto de ensinar o saber e o saber fazer, mas para mim, o mais desafiante é o saber estar e o saber ser”

A sua infância foi passada na maior parte do tempo, no campo do parque infantil da sua bonita terra natal, onde a sua “saudosa e Santa Avó mandava-me chamar ao improvisado campo de futebol e queixava-se à minha mãe, que só lhe aparecia no final do dia para jantar, todo suado com a bola de futebol debaixo do braço (naquela altura chamávamos de catju, à bola)”.
Relativamente à sua formação, “começou também na Madeira”, e toda a sua base vem dos seus “queridos pais, a quem muito devo”. Frequentou tudo o que são cursos ou formações nas várias áreas desportivas, após pós-graduações, mestrado, doutoramento, estágios em equipas profissionais de futebol no Brasil e uma passagem pela Escócia para tirar o 3.º Nível/UEFA A. “Meu foco foi sempre a formação contínua no treino (na metodologia do treino e as demais valências), passando por algumas especializações: Scouting/observação, táctico/estratégica, preparação física e análise. Depois, nos últimos três anos, especializei-me na psicologia desportiva. Através de estágios em equipas profissionais, este ano até Fevereiro de 2023, com o plantel principal de futebol do Clube Desportivo Santa Clara. Estas experiências profissionais, culminaram com a realização do pós-doutoramento e artigos científicos, que pretendo concluir este ano, consequência disso foi a construção e adaptação de ferramentas de avaliação e análise holística de uma equipa profissional de futebol. Como também numa matriz base, para o processo de tomada de decisão do treinador. Concluindo as mesmas, num nível de confiança muito alto, por essa razão estou também num processo de patenteamento das mesmas”, acrescenta.

Madeira e Açores “têm segurança e qualidade de vida de louvar”

Por ser madeirense, quisemos saber como encarou a sua vinda para cá, mas Pedro Drumond Sousa respondeu da seguinte forma: “Remeto-me a dizer que pretendo continuar a ser coerente com o que sinto, penso, planeio e fiz, até a data”.
No entretanto, o nosso entrevistado encontra semelhanças entre os dois arquipélagos. “Para além de serem ilhas lindíssimas, com cenários inesquecíveis, têm uma segurança e qualidade de vida de louvar. E temos de ser gratos por tudo isso, independentemente de poder haver sempre em tudo, capacidade de evoluir e melhorar.  Sem desrespeito por todos aqueles que me receberam muito bem nos Açores, quero referir, no entanto, que para mim, a Madeira leva clara vantagem a nível das condições climáticas”.
Pedro Drumond Sousa sente a insularidade “da mesma forma que se sente na Região Autónoma da Madeira”, que no cômputo geral “não existe uma valorização ao esforço dos ilhéus, relativamente às enormes conquistas, à grande resiliência, à dupla exigência e à tripla burocracia, feitos pelos mesmos, para levar o nome das ilhas e do país, além-mar”.

“Respeito, atitude, humildade e gratidão”

Pedro Drumond Sousa é professor de Educação Física, agora na Escola Secundária Domingos Rebelo, mas há menos tempo que no futebol, pois começou “a gostar” do chamado desporto-rei, “quando tinha cinco anos de idade”. Como professor já contabiliza “27 anos de profissão, mesmo com algumas intermitências. Gosto de ensinar o saber e o saber fazer, mas para mim, o mais desafiante é o saber estar e o saber ser. É algo que levo dos meus pais e da minha personalidade, para todos os meus trabalhos, são os princípios do respeito, atitude, humildade e gratidão”.
Por ele já passaram muitos alunos e muitas turmas, que não sabe quantificar, que espera que tenham levado alguns dos seus ensinamentos. “Alguns ainda reconheço, outros me abordam, muitos já constituíram família e têm o seu projecto vida”, complementa.

“O TODO para TODOS”

Acerca da sua ligação ao desporto e ao futebol, começa por esclarecer que é “somente mais um apaixonado pelo futebol e pelo desporto”, da mesma forma como é pelo treino e competição.  “Começa em São Vicente com o futebol de rua, depois como jogador na formação do Marítimo da Madeira, treinador de vários clubes, em todos os escalões, coordenador técnico e geral de vários clubes e da primeira Escola do Sporting na Madeira. Após vários estágios em equipas profissionais no continente e Brasil, passa a ser treinador adjunto e principal em várias equipas amadoras da Madeira e Açores. Aqui, o chip queimou, visto que o amador não quer o profissionalismo, da mesma forma, que não tolero ser amador no profissional. E por isso acabou essa fase e tem tudo a ver, que neste momento, coloco na balança da tomada decisão, da minha carreira técnica no futebol, a oferta que me chega e o que pretendo no futebol. Face a não aparecer nada, que seja um desafio profissional e estruturado no futebol, optei por me preparar para o desafio que vai aparecer, sempre de forma a ser um valor acrescentado e diferencial. Numa das dimensões desportivas, neste momento mais inclinado na área psicologia desportiva, muito falada, pouco explorada, conhecida e implementada. Ou seja, como não é ainda a moda nos clubes, mas está sempre na boca de todos, poder alimentar e justificar, a uma audiência com conversas vagas e ambíguas. Estão muito aquém do que poderia ser sua integração e no trabalho de campo. Pois é preciso coragem para ver para além e deixar se ver por alguém. Para além dessa dimensão, e face ao vasto conhecimento que adquiri e adquiro, nas outras dimensões permitiu cruzar a informação e retirar do todo essencial o pormenor relevante, fulcral para as equipas e staff, terem sucesso mais vezes e de forma consolidada. Neste momento, permitiu adaptar e construir ferramentas para responder num curto espaço de tempo, às dificuldades prementes do alto rendimento. Trocando por miúdos, o TODO para TODOS”. No entanto, “com esta caminhada”, confessa que ganhou muitas insónias (risos).

“Aprendi muito com a rádio”

Para além de tudo isto, Pedro Drumond Sousa tem ainda uma relação com a rádio, onde no programa de autor de rádio valoriza pessoas, num formato tertúlia, intitulada «Desporto Açores». “A rádio foi da minha iniciativa, mais uma vez foi o meu constante inconformismo, sai da minha zona de conforto e fui à procura. E sempre, que uma porta se abre eu entro. Com os receios iniciais de quem nunca foi, nem é, nem quer ser jornalista. Não é o meu Mindset. O meu foco na rádio é tão só conhecer valorosas pessoas e a partilha de conhecimento, num formato de tertúlia. Até porque o programa «Desporto Açores» não tem qualquer guião. Aprendi muito com o Programa, tanto a nível introspectivo, como com os excelentes convidados que tive até hoje. Portugal, Madeira e Açores têm muita gente com conhecimento, top nacional e mundial”.

“Padel é um dos passatempos”

Com tanto para fazer “consegue ainda arranjar tempo para jogar Padel”, apesar de, neste momento “recuperar de uma lesão e estar desejoso de voltar a jogar”. Oriundo de famílias que vivem o mar, como ilhéu gosta, naturalmente, também do mar e da natureza, de pescar, surfar e mergulhar.
Pedro Drumond Sousa é ainda um curioso pela culinária. Aliás, “a criatividade é algo que treino há muito e por padrão, logo consigo me responder positivamente na cozinha. Embora, como tenho foco noutras coisas, deixou muito de parte. Mas, admiro quem faça desse trabalho uma arte. Tal como o desporto (e para mim preferencialmente o futebol) também é”.

Marco Sousa *

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Autor: CA

Categorias: Regional

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