Governo açoriano quer incluir nova fonte hidrotermal no Parque Marinho

A Expedição Oceano Azul, uma das mais completas expedições realizadas em águas nacionais como objectivo de explorar zonas ainda pouco conhecidas do mar dos Açores, terminou, ao fim de 20 dias de mar e de 650 milhas percorridas entre os grupos central e ocidental do arquipélago. Organizada pela Fundação Oceano Azul em parceria com a Waitt Foundation e a NationalGeographicPristineSeas, e em colaboração com a Marinha Portuguesa através do Instituto Hidrográfico, o Governo Regional dos Açores e a Estrutura de Missão para a Extensão da Plataforma Continental (EMEPC) com o ROV “LUSO”, esta expedição cumpriu os seus objetivos científicos de avaliar as comunidades biológicas das zonas menos conhecidas do mar dos Açores, entre ecossistemas costeiros, de oceano aberto e mar profundo. O Secretário Regional do Mar, Ciência e Tecnologia anunciou hoje, na Horta, que o Executivo açoriano pretende incluir no Parque Marinho dos Açores a fonte hidrotermal descoberta esta semana no monte submarino ‘Gigante’ para “salvaguardar o seu valor ecológico e patrimonial”. “Esta foi a primeira ação de um projecto mais abrangente, o Programa BlueAzores que tem uma duração estimada de três anos, e que resulta de uma parceria entre a Fundação Oceano Azul e a Fundação Waitt.Este programa tem como objetivo a promoção, proteção e valorização do capital natural azul do Arquipélago dos Açores numa colaboração a estabelecer com o Governo Regional dos Açores”, assinalou Emanuel Gonçalves, Líder da Expedição e Administrador da Fundação Oceano Azul. Acrescenta ainda “hoje assinámos também um protocolo com o Instituto Hidrográfico da Marinha Portuguesa com o objetivo de reforçar o conhecimento sobre o mar português.” A expedição contribuiu para um panorama científico mais revelador do valor dos ecossistemas do mar dos Açores e ficará reconhecida como a primeira expedição organizada por uma instituição portuguesa, liderada por cientistas portugueses e utilizando navios e meios nacionais que localizou um campo hidrotermal em águas profundas no nosso território marítimo. Participaram na expedição cientistas de diversos centros de investigação nacionais, como o IMAR, o MARE, o CCMAR, o CIBIO e a Universidade dos Açores, e internacionais da Universidade do Hawaii, da Universidade da Califórnia em Santa Barbara, da Universidade de Western Australia, e do CSIC, IEO e Museu do Mar de Ceuta em Espanha. Na Expedição Oceano Azul em participaram 28 investigadores e 96 participantes. Foram, feitos 600 mergulhos em 21.469 km2 de nova área de fundo marinho mapeado, tendo sido 650 milhas as milhas percorridas percorridas nas 60 horas de exploração dos ecossistemas profundos com o ROV “Luso”. Salvaguardar o valor ecológico e patrimonial O Secretário Regional do Mar, Ciência e Tecnologia anunciou, na Horta, que o Executivo açoriano pretende incluir no Parque Marinho dos Açores a fonte hidrotermal descoberta no monte submarino ‘Gigante’ para “salvaguardar o seu valor ecológico e patrimonial”. Gui Menezes salientou que o Parque Marinho dos Açores conta, desde 2016, com 17 áreas protegidas classificadas, que correspondem a cerca de 246 mil km2, frisando que “as prioridades do Governo dos Açores em investigação marinha prendem-se com uma aposta forte na política ambiental para o mar”, adiantando que, de acordo com o GacS, o Governo dos Açores está a “elaborar planos de gestão para estas áreas marinhas protegidas”, tendo em vista “identificar mecanismos de financiamento e necessidades logísticas e de recursos humanos para a implementação das medidas e ações definidas, incluindo programas de monitorização e controlo”. Gui Menezes, que falava na apresentação dos resultados da expedição oceanográfica ‘Blue Azores Expedition’, considerou que esta missão científica teve “um enorme êxito”, salientando o facto de ser “a primeira vez que uma expedição liderada por cientistas portugueses localiza um campo hidrotermal em águas profundas no mar dos Açores”. “Não tenho dúvidas de que esta expedição representou um forte contributo para os objetivos do Governo Regional no que respeita ao conhecimento e à investigação marinha no arquipélago”, afirmou Gui Menezes, acrescentando que o estudo do mar dos Açores “representa um enorme desafio”. Neste sentido, destacou a importância de novas parcerias, como é o caso do memorando de entendimento que será assinado brevemente entre o Governo dos Açores, a Fundação Oceano Azul e a Fundação Waitt, responsáveis por esta expedição oceanográfica. “A observação e a monitorização dos oceanos, bem como o mapeamento e o estudo do mar, em especial do oceano profundo, exigem investimentos muito avultados e constituem um desafio enorme em termos de meios tecnológicos e científicos”, disse, defendendo que “é necessário concertar esforços e otimizar meios que contribuam para o maior conhecimento desta vasta área oceânica”. Gui Menezes frisou que, no final do ano passado, o Governo dos Açores e o Instituto Hidrográfico assinaram um protoloco de cooperação técnica e científica em investigação marinha, no âmbito do qual estão a decorrer algumas missões, nomeadamente o mapeamento das zonas costeiras da ilha das Flores, agora realizado, adiantando que estão a ser preparadas novas missões de mapeamento costeiro em várias ilhas. Durante a sua intervenção, o Secretário Regional anunciou ainda que o Executivo açoriano está a ultimar um programa de monitorização dos recursos costeiros, que irá arrancar ainda este ano, com o objetivo de “aferir o estado de exploração de peixes costeiros, algas e outros invertebrados marinhos, como as lapas e as cracas, que têm sido alvo de pressão em algumas ilhas”.
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