Demolição das galerias da Calheta e construção do novo hotel é um investimento de 13 milhões de euros

O Vice-presidente do Governo dos Açores, Sérgio Ávila, manifestou-se ontem “extremamente satisfeito” com a entrega, pelo Fundo Discovery, “dentro dos prazos previstos”, do projecto de arquitectura e especialidades para a construção de uma unidade hoteleira e criação de um espaço verde na zona da Calheta de Pêro de Teive. O governante açoriano começou por salientar que “se cumpriu” o compromisso assumido aquando da organização deste projecto captando o Fundo Discovery para um investimento “que estava parado” na ASTA. “Conseguimos, em primeiro lugar, captar investidores extremamente credíveis que conseguiram dar continuidade e concluir os dois hotéis, o Azor e o SPA das Furnas, e dar execução ao processo do jogo, quer seja do casino, quer seja das máquinas de jogo. Citou a resolução do Governo dos Açores de Maio de 2017, segundo a qual, o Fundo Discovery teria 90 dias após a aprovação do plano de informação prévia, para entregar na Câmara de Ponta Delgada o projecto de arquitectura. O projecto foi entregue ontem e o prazo termina hoje. E as obras devem avançar quatro meses após a aprovação do projecto pela Câmara Municipal. Segundo Sérgio Ávila, o Fundo Discovery “cumpre também” com os objectivos preconizados de reduzir “substancialmente a volumetria” do edificado na Calheta de Pêro de Teive, “ devolvendo à cidade uma ligação e criando um espaço essencialmente à população, garantindo estacionamento e a ligação de toda a zona da Calheta com a avenida e com o mar, ao mesmo tempo que se criam as condições para o desenvolvimento de mais um projecto de uma unidade hoteleira que qualifica ainda mais a oferta turística da ilha de São Miguel”. “Gostaria, neste momento, de referir que estamos hoje extremamente satisfeitos pelo percurso que fizemos ao longo dos anos. Em primeiro lugar, em ter conseguido trazer para os Açores o Fundo Discovery que é um fundo que é, a nível nacional, uma referência do ponto de vista de investimento, é uma referência de credibilidade, uma referência de capacidade de investir e de fazer depressa e bem aquilo que se pretende”, referiu o governante. Em sua opinião, ao se “alterar significativamente aquilo que eram as antigas galerias comerciais para um espaço da Calheta”, a solução encontrada “é, sem dúvida, bem mais propícia para reforçar a qualidade de vida da cidade, quer seja do ponto de vista de estacionamento e criando mais um espaço verde para usufruto da população”. “O que nós desejamos agora”, concluiu, “é que os prazos continuem e serão, com certeza, cumpridos e que, sendo o projecto de arquitectura e especialidades entregue na Câmara Municipal hoje (ontem), sejam iniciadas as obras, com a demolição das actuais galerias, nos quatro meses seguintes após a aprovação do projecto”. Demolição das galerias e jardim vão custar 3 milhões O investimento do Fundo Discovery na Calheta de Pêro de Teive será de 13 milhões de euros, dos quais cerca de 10 milhões de euros para a construção de uma unidade hoteleira com 109 quartos e piscina interior e três milhões de euros para a demolição das galerias e construção de um espaço verdade que abre praticamente todo o espaço, numa área de 3.300 metros quadrados da Rua José Cordeiro para a Avenida João Bosco Mota Amaral e para o mar. O Fundo Discovery entregou ontem na Câmara Municipal de Ponta Delgada o projecto de arquitectura e especialidades e, a partir do momento em que a autarquia aprove o projecto, terá quatro meses para iniciar as obras que vão realizar-se durante um ano e meio para que a nova unidade hoteleira e o espaço verde fiquem concluídos em 2020. Pedro Seabra, representante do Fundo Discovery, deixou claro aos jornalistas que “ninguém no mundo mais quer demolir as galerias da Calheta do que o proprietário do hotel Azor”, que é propriedade do Fundo. E quando questionado sobre se o hotel e a zona verde serão inaugurados em simultâneo, a sua afirmação foi a de que “já nos basta” ter um hotel junto àquelas galerias, “não queremos ter dois”. O projecto de arquitectura e especialidades do novo hotel e zona verde adjacente, onde se mantém a estrutura de um posto de turismo, foi apresentando na manha de ontem por Pedro Seabra, em representação do Fundo Discovery, e uma equipa técnica, ao Vice-presidente do Governo dos Açores, Sérgio Ávila e deu entrada durante a tarde na Câmara Municipal de Ponta Delgada para apreciação. Pedro Seabra recordou que, quando o Fundo Discovery adquiriu os activos da ASTA, havia as galerias comerciais por acabar que era um investimento de cerca de 1,5 milhões de euros. “Era isso que nos proponhamos fazer. Mas entramos nesta aventura sempre numa grande parceria com as entidades oficiais e, neste momento, estamos a falar de um investimento de 13 milhões de euros, um investimento completamente diferente”, afirmou Pedro Seabra aos jornalistas. “O esforço é muito grande e continuamos a cumprir com todos os prazos, sabendo que estamos a criar um equipamento muito interessante para a cidade. Vamos criar mais cerca de 50 a 60 postos de trabalho que se juntam aos 200 postos de trabalho que já criamos com os outros hotéis explorados pelo fundo nos Açores”, o Azor, em Ponta Delgada, e o SPA das Furnas. “É um grande investimento e estamos a fazê-lo com alegria. As dificuldades existem sempre e há que as ultrapassar. Mas estamos contentes de aqui estar mais uma vez a cumprir com aquilo que temos prometido”, afirmou Fernando Seabra. Pedro Seabra salientou que haverá uma complementaridade entre o hotel Azo’ e a nova unidade hoteleira com uma piscina interior, que poderá ser usufruída pelos hóspedes das duas unidades hoteleiras. Por outro lado, quem ficar hospedado no novo hotel, poderá dispor do “belíssimo” centro de conferências do hotel ‘Azor’ de 600 metros quadrados que, na opinião de Pedro Seabra, “está a funcionar em pleno”. Câmara de Ponta Delgada “foi pioneira” na defesa da criação de um espaço de fluição pública na Calheta, afirma Bolieiro O Presidente da Câmara Municipal de Ponta Delgada, José Manuel Bolieiro, reafirmou ontem que foi o Município, presidido por si, que “foi pioneiro e esteve sempre, desde a primeira hora, a batalhar pela demolição das galerias da Calheta de Pêro de Teive e criação de um espaço de fluição pública, com a criação de um espaço ajardinado em vez de uma outra qualquer solução o que o projecto agora apresenta”. José Manuel Bolieiro falava ontem à tarde ao Correio dos Açores, após a entrega pelo Fundo Discovery à autarquia do projecto de arquitectura e especialidades da construção da unidade hoteleira, demolição das galerias e criação de um espaço verde na Calheta Pêro de Teive. O autarca relevou, nas declarações ao Correio dos Açores, a importância das reivindicações e reclamações do movimento ‘Queremos a Calheta de Volta’ a que se associou, “imediatamente, reconhecendo a validade das suas posições”. “Defendemos também, desde a primeira hora, o acabamento do hotel agora ‘Azor’, inicialmente designado como ´Príncipe de Mónaco’. Foi concluída a abertura da via de ligação, por nossa sugestão, da rua Eng. José Cordeiro com a Avenida João Bosco Mota Amaral e agora também com o projecto de demolição de algumas galerias e com a criação de um espaço de fluição pública”, palavras do edil. Os responsáveis pelo Fundo Discovery entregaram já tarde, no dia de ontem, à Câmara Municipal de Ponta Delgada o projecto de arquitectura e especialidades para a construção da unidade hoteleira, posto de turismo e espaço verde na Calheta de Pêro de Teive e, dada a hora da entrega, só hoje, último dia do prazo, é que será registada a entrada dos documentos. José Manuel Bolieiro, manifestou-se “satisfeito” porque o projecto “confirma aquilo que se empenhou para que se concretizasse: O objectivo de devolver vistas à Calheta, criando um espaço de fluição pública onde estão construídas as galerias. Este objectivo está assegurado”, sublinhou, reconhecendo também a importância da sustentabilidade do investimento. Manifestou também “a satisfação, com o reconhecimento dos problemas todos anteriores surgidos, a expectativa que é desejada pelo Fundo Discovery de, desde logo, poder ter o hotel em funcionamento em 2020 e termos a expectativa de que se iniciem as obras no primeiro trimestre de 2019, período que é útil, até porque não fazia sentido efectuar, na época alta, demolições perturbadores do normal sossego e funcionamento urbanístico de uma cidade acolhedora do turismo”. “E, portanto”, rematou, “estamos todos de boa fé e satisfeitos, até porque a expectativa que nos dão é que se trata de um investimento de 13 milhões de euros”. “A oferta turística, o embelezamento urbanístico dá, com certeza, um impulso à economia, desde logo no âmbito da própria construção do que está projectado e que cumpre as nossas exigências desde o início, nas conversações da Câmara Municipal com o Fundo Discovery”, disse.
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Autor: João Paz

Categorias: Regional

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