Ryanair deixou grupo de 13 alunos com reserva paga desde Março sem transporte para Lisboa

Um grupo de 13 alunos da Escola Básica 2,3 dos Ginetes, dois professores e dois encarregados de educação, com reserva feita e paga em Março deste ano, para uma visita de Estudo a Lisboa, ficaram ontem em Ponta Delgada devido ao cancelamento do voo da Ryanair. O grupo tinha pago pouco mais de dois mil euros pelas passagens reservadas na Ryanair e foi cerca das 23 horas de anteontem surpreendido pela informação da empresa ‘low cost’ que o voo iria ser cancelado, mas que se deveriam deslocar ao aeroporto para marcar novo voo ou reaver o valor das passagens. O facto é que alunos, professores e encarregados de educação não conseguiram, em tempo útil, novos lugares na Ryanair para voarem para Lisboa e integrarem-se na visita de estudo que tinham programado. Por isso, tiveram que marcar, em cima da hora, passagens na Azores Airlines de ligação para Lisboa, no voo que sai pelas 7h30 de hoje para a capital portuguesa. O valor destas passagens na Azores Airlines, segundo um dos professores, foi de mais de quatro mil euros, o dobro do valor da reserva que tinham feito na Ryanair, quase três meses antes. E se o grupo de alunos, professores e pais poderá reaver o dinheiro das passagens da Ryanair, terá de suportar todo o custo das reservas na Azores Express embora, por serem residentes, cada passagem fique pelo valor de 134 euros. Para além de pagarem mais para voarem, em cima da hora, num avião da Azores Airlines, o cancelamento do voo da Ryanair causou uma série de transtornos aos alunos, professores e encarregados de educação que têm, agora, de pagar mais duas noites de hospedagem em Lisboa para além de todos os incómodos causados por terem de alterar o programa da visita de estudo. O grupo, que ainda ontem à tarde não tinha sido ressarcido do valor das passagens da Ryanair por ter cancelado o voo, enviou ontem mesmo uma reclamação à empresa ‘low cost’ a manifestar “desagrado” com o sucedido. A reclamação “Nós, treze crianças estudantes da Escola Básica 2,3 de Ginetes, respectivos encarregados de educação e duas professoras, vimos, por este meio, manifestar o nosso desagrado para com a companhia Ryanair, pois, hoje, dia seis de Junho, tínhamos uma viagem para Lisboa, no voo FR2622, às 7h15 da manhã que foi cancelado, sem qualquer justificação. Ontem (anteontem), às 22H56, as responsáveis pela reserva receberam uma mensagem informando que o voo tinha sido cancelado e que os dezassete passageiros poderiam pedir o reembolso ou alterar a viagem gratuitamente. Devido ao adiantado da hora, não foi possível avisar todos os passageiros, pois, tratando-se de crianças, na sua maioria, já estavam a dormir porque iriam acordar por volta das 4h00 da manhã”. “Às 5h30 de ontem”, lê-se na reclamação, “todos os passageiros estavam no aeroporto para alterar a hora do voo, pois pretendiam continuar com a viagem que foi programada deste o início do ano lectivo, no âmbito do projecto ‘Educação Empreendedora: o caminho do sucesso’”. Quando se dirigiram ao balcão da companhia aérea low cost, os passageiros “foram informados que não sabiam qual o motivo do cancelamento e que a Ryanair estava a tentar arranjar outro avião para substituir o cancelado, mas que não sabiam se seria possível, pois não se tratava de uma “camioneta”, logo, não seria uma tarefa fácil de concretizar”. O mesmo funcionário acrescentou que, “em caso de urgência, deviam arranjar alternativa”. Perante esta situação, o grupo, que “trabalhou ao longo de todo o ano lectivo para angariar fundos para esta iniciativa, decidiu tentar arranjar outras alternativas, de forma a não perderem todas as actividades agendadas em Lisboa, nomeadamente, visita à Feira do Livro, ao oceanário de Lisboa, à Assembleia da República, ao Jardim Zoológico, ao Mosteiro dos Jerónimos, à Torre de Belém, entre várias outras visitas”. “Infelizmente”, refere-se na reclamação, “o grupo não conseguiu viajar hoje (ontem) na data prevista. A viagem será realizada hoje às 7h30 na Sata, “mas o regresso teve de ser alterado, para que seja possível realizar todas as visitas agendadas”. Este cancelamento da Ryanair, segundo a reclamação, “causou e ainda está a causar grandes transtornos a todos os intervenientes, fez com que as despesas aumentassem consideravelmente, nomeadamente a nível do alojamento, pois não foi possível recuperar as verbas pagas pelo dia seis e ainda não se conseguiu alojamento para os dois últimos dias. Para além disso tudo, a tristeza e a decepção estavam presentes nos rostos cansados das crianças, algumas delas teriam feito a sua primeira viagem de avião”. *** O cancelamento do voo de manhã e a incapacidade da Ryanair de o conseguir repor ao longo do dia de ontem, causou também transtornos a outros passageiros, alguns dos quais manifestaram desagrado junto da redacção do Correio dos Açores, pela “forma pouco profissional como foram tratados pela companhia low cost em Ponta Delgada. Além destes passageiros, não é a primeira vez que a Ryanair deixa passageiros em Ponta Delgada com reserva marcada e paga.
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Autor: João Paz

Categorias: Regional

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