3 de junho de 2018

Recados com Amor

Meus Queridos! A semana que passou põe qualquer um no manicómio. Na Terça-feira foi a votos na República a ordem para liberalizar a morte ou deixá-la nas mãos do Altíssimo que é o gerador da vida. Dois dias depois foi a festa de Corpo de Deus e o Dia dos Irmãos, e na Sexta-feira, celebrou-se o Dia da Criança. Para fechar o ramalhete, o Governo juntou no Vale das Furnas, a Madeira, as Canárias e Cabo Verde, para reforçar o cerco à União Europeia, agora através do exército formado pela Macaronésia. Se a semana que acabou foi o que foi, a que hoje começa vai ser frenética com a vinda do Presidente Marcelo Rebelo de Sousa para celebrar o Dia da raça em solo Açoreano. Já que falo da vinda do Presidente, ouvi dizer que ele vai receber em Sant’Ana, sede do Governo dos Açores, o corpo consular… e a minha comadre Ernestina, que anda sempre atenta a essas coisas, perguntou-me se a recepção não devia ter lugar no Convento de Belém, que é poiso do Representante da República em São Miguel. Ernestina adiantou que, como Marcelo Rebelo de Sousa não prega prego sem estopa, isso poderá significar que o cargo está em vias de extinção! … Talvez sim …talvez não… porque o Presidente sempre que é confrontado sobre o reforço da Autonomia… dribla par o ar como faz qualquer hábil jogador!.. Ricos! Lembram-se que o Governo há uns tempos atrás anunciou, com pompa e circunstância, a chamada reestruturação do sector público empresarial, com a privatização de algumas e encerramento de outras…. Uma das empresas a extinguir seria a chamada Espada Pescas que é propriedade da Lotaçor…. outra empresa pública… A Espada Pescas é uma empresa que nasceu para equilibrar o mercado do pescado… mas foi sempre asfixiada desde a nascença… Agora foi criada uma Cooperativa que juntou os parceiros da pesca, deixando de fora a Porto de Abrigo, que foi pioneira na organização do sector. Não me vou meter nos ciúmes nem nos arrufos entre partes, mas o que quero dizer é que se se vai extinguir a Espada Pescas, o seu património tem de ser leiloado e não cedido gratuitamente, porque dessa forma uns seriam tratados como filhos e outros como enteados… Estão a perceber-me não estão??? Meus Queridos! E já que estou a mexer no sector empresarial público, digo que não percebi o alcance da medida recentemente anunciada pelo Governo em celebrar um contrato no valor de cinco milhões de euros com a SDEA para a empreitada de reabilitação de 138 moradias do Bairro Beira Mar, deixadas vagas pelos americanos nas Lajes. E digo que não percebo porque quem têm essa função é a SPRHI- Sociedade de Promoção e Reabilitação de Habitação e Infra-estruturas SA. Bem sei que esta empresa está já com morte anunciada, e talvez por isso, a responsabilidade que ela detêm, na área da habitação, passe a fazer parte da SDEA… Se for assim, a minha prima Maria da Praia diz que, afinal fica tudo na mesma…. Meus queridos! Andavam algumas comadres numa discussão valente, porque para os lados da Rua do Passal, na capital micaelense, de seu nome Ponta Delgada, porque todos os dias que o Senhor põe ao mundo… há uma grande invasão de gatos, sem dono ou com donos distraídos…. que andam pela rua, rasgam os sacos de lixo, reviram tudo … e ainda por cima fazem as suas necessidades à porta de cada um. E, como os bichos andam esfaimados, há sempre almas caridosas e condoídas… que deles tratam, o que faz com que se habituem à esmola e se multipliquem cada vez mais. Mas o mais interessante é que uma das vizinhas exaltadas e que se revoltava, porque as outras andavam a tratar dos gatos, ainda gritou bem alto: é a Câmara que temos! Pois! Estou mesmo a ver a Câmara a ter um vigia todos os dias para ver quem alimenta os gatos e em que porta eles fazem cocó… E se houver recolha forçada dos bichanos lá estarão outros a dizer que é a Câmara que temos, que recolhe os animais sem saber se têm dono ou não. E vai-se lá ser regedor numa terra destas! É caso para dizer que a história do velho, do rapaz e do burro, apesar de ter bolor, está sempre na moda…. Meus queridos! Quero mandar daqui um ternurento beijinho ao sempre atento e dedicado professor Teófilo Braga, que todas as semanas leio com muito interesse no jornal que tão generosamente me acolhe no seu seio. Falando ele, na passada semana, nas eleições que se vão disputar para a direcção da Escola das Laranjeiras e que já não vão contar com o meu querido e quase eterno Professor Segismundo Martins, dizia que uma das coisas em que se deve pensar nas escolas é na qualidade das árvores que lá se plantam, nos espaços ajardinados, porque muitas vezes escolhem árvores que durante o Inverno todo estão despidas de folhas e flores e só ficam bonitas na altura em que as escolas estão fechadas… E tem toda a razão. Lembro-me muito bem que quando aquela Escola das Laranjeiras foi inaugurada, ali foram plantadas diversos laranjeiras e o então Presidente Mota Amaral até disse que a prova da evolução educacional seria quando pudesse comer uma laranja dali. Não sei se ainda existe alguma laranjeira daquele tempo, mas também acho que há árvores mais adequadas que outras… E por amor de Deus não abusem das palmeiras, porque não somos tropicais, nem temos macacos! Ricos! Fui num dia da passada semana dar uma volta para os lados da Calheta, com a minha prima da Rua do Poço, e lá vi um grupo de jovens a fotografar e a medir. Pensei que já fosse alguma coisa relacionada com a demolição dos mamarrachos, mas não é. Disseram as moças à minha prima da Rua do Poço que as interrogou, que estavam a fotografar e a entrevistar pessoas para a tese de mestrado de uma delas, numa Universidade do Porto e a tese ia desenvolver a decadência da Calheta no contexto de Ponta Delgada. Ficou prometido que a minha prima da Rua do Poço ia receber o livro resultante da defesa da tese. E, aproveitando a conversa, as ditas meninas manifestaram a sua pena porque o painel de Domingos Rebelo que lá está colocado, já está todo velho e encarquilhado devido ao sol e humidade… e no lado oposto do expositor, onde era suposto estar informação de actividades culturais de Ponta Delgada, o painel está tão, mas tão actualizado que indica eventos de Outubro a Dezembro do ano que já lá vai…. E que tal darem a chave à Junta para lá ir colocando informação útil da freguesia? Meus queridos! Isto é que foi uma semana de trabalho lá para os lados de São Bento. Com a aproximação das férias e já com o cheiro nos banhos e nas longínquas viagens, os nossos deputados andam num ver se te avias que até assusta. Foi a votação para a eutanásia que muitos pomposamente querem chamar de morte assistida e que levou um tangencial chumbo, porque houve alguns deputados com coragem de não obedecer à voz do dono, a provar que todas as votações deveriam ser nominais, para se saber quem tem coragem de assumir ou quem tem a covardia de andar sempre a dizer “NIM” para agradar gregos e troianos. E logo a seguir foi a aprovação, mais ou menos à socapa, da lei que permite o uso de canábis mediante receita médica. Lembrei-me logo daquilo que me contava a minha prima Maria da Vila acerca de um autarca que, coitado, era médico e quase todos os dias à noite era assediado dentro do carro para passar receitas de Dormicum e outras… Para não ser agredido até tinha o bloco de receitas consigo… Espero que com a canábis não seja outra folia! Ricos! Sempre fui uma apreciadora dos programas Atlântida que a RTP/Açores transmite, desde o tempo em que eram apresentados pelo picaroto José Gabriel Ávila, que passou o testemunho a outro picaroto de peito, o Sidónio Bettencourt. Ainda há dias, no Pico foi para o ar um programa maravilhoso enriquecido com a sabedoria de Manuel Serpa e a beleza de milhares de rosquilhas das funções do Divino, que faziam crescer água na boca…. E também gosto de ver o que se passa no Atlântida que nos chega da Madeira. O que eu não entendo é se aquilo é mesmo directo ou não é. O meu querido Sidónio cansa-se de repetir que estamos em directo com a RTP/I e com a RTP/Madeira. Como agora toda a gente já tem a RTP/Madeira no cabo, lá surge a tentação de ir ver o tal directo e afinal não é directo porque estão a dar outro programa… E quando é da Madeira para cá, idem aspas! Não vem mal ao mundo mas não ponham lá que é directo… Tá? Ricos! Li esta semana no velhinho e renovado Diário dos Açores que a GNR lá para os lados do rectângulo recebeu oito viaturas para combate a incêndios rurais e que vinham mais a caminho, pagos por fundos comunitários e outros programas de apoio. Não é por mal, mas dou por mim a interrogar-me se as ditas viaturas não seriam mais bem entregues a quem compete apagar fogos, que são os bombeiros? Por este andar, ainda corremos o risco de ver os bombeiros fazer operações stop e mandar soprar no balão. Diz a minha prima Jardelina que como a GNR pode não ter rádio para chamar os bombeiros, pelo menos tem carro para ir para o incêndio. Mas isto sou eu que não entendo nada destas modernas partilhas de serviços… porque depois, quando e se a coisa correr mal, até melhor se pode repartir culpas…
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