Três homens invadiram um bar pelo tecto, destruíram máquina e roubaram tabaco e moedas

Três indivíduos que começaram a ser julgados por crimes de furtos não compareceram ontem no início da audiência de julgamento de um Tribunal Colectivo por factos ocorridos em 2016. Dos três, um está ainda acusado de um crime de furto qualificado e tráfico de estupefacientes de menor gravidade. Os outros dois acabaram por comparecer quando já se procediam às alegações finais, mas aconselhados pelo seu representante, não quiseram falar dos factos que lhe são imputados. No início da sessão ficou desde logo assente que este era um processo que nasce de um julgamento singular e que depois é remetido para o colectivo, devido à natureza dos crimes. Numa primeira instância os arguidos são acusados de se terem introduzido num estabelecimento comercial, onde depois terão destruído uma máquina de tabaco para daí levaram todo o seu conteúdo. Várias testemunhas foram arroladas neste processo, onde a primeira a falar foi um ex-GNR que tomava conta do bar. “Entraram pelo telhado, retiraram telhas e as tábuas de forro”, complementou. Um empresário pormenorizou que a máquina tinha cerca de 719 Euros, sabendo-se igualmente que do tabaco roubado foram devolvidas 5 carteiras. Um agente de autoridade contou que receberam uma chamada dos proprietários a contar o sucedido e que lhe tinham dito que nas redondezas tinham lá estado três indivíduos. Ainda relativamente a este episódio um pescador soube que o bar tinha sido assaltado e que os carpinteiros estavam a compor os estragos e nada mais, mostrando-se surpreendido por ter sido arrolado no processo. “A sua surpresa é a nossa. Nós também estamos surpreendidos”, admitiu o Juiz Presidente do Colectivo. O segundo episódio envolve novamente os três arguidos que terão furtado quatro melancias de um terreno agrícola. O proprietário, reformado, trabalha agora na agricultura de subsistência e conhece os arguidos por morarem na mesma freguesia. Ao saltarem o muro que delimita o terreno, para além de terem furtado as melancias terão ainda destruído outras. E porque dois dos arguidos são irmãos foi confrontar os pais manifestando o interesse em ser ressarcido dos estragos. Quando passavam pelo proprietário ainda gozavam com ele e diziam que “as melancias eram boas”, disse ainda uma outra testemunha. Já o genro do proprietário do terreno, que naquele dia esperava que a mulher saísse do trabalho, viu os três arguidos com as melancias e foi à casa do sogro contar o que tinha visto. Foram até ao prédio e viram o que tinha acontecido. No outro episódio, um agente da Polícia de Segurança Pública contou que abordou um dos arguidos que tinha cabeços de cannabis e dinheiro, e que numa rusga apreenderam mais produto estupefaciente na sua casa. Nas alegações finais, a Procuradora ressalvou que “a prova documental e testemunhal foi produzida” e porque no interior da máquina do tabaco foram encontradas as impressões digitais do arguido acusado de tráfico de estupefacientes de menor gravidade deverá ser condenado, até porque “não trabalha, tem dinheiro e isso é tráfico”. No entanto, e atendendo às idades dos arguidos, a Procuradora entende ainda que as penas poderão ser suspensas na sua execução. A sua defensora fez suas as palavras da representante do Ministério Público. Já o advogado dos dois irmãos, e reportando-se em concreto ao segundo episódio, mostrou-se convicto de que nenhuma prova foi feita para indiciar que aquelas melancias pertenciam àquele terreno porque nas redondezas existem outros prédios. No demais, que se faça justiça. A leitura do acórdão ficou agendado para se concretizar na próxima semana. Cúmulo jurídico: Homem condenado a 9 anos de prisão Entretanto, e em audiência de cúmulo jurídico um homem que está a cumprir pena de prisão pela prática de três crimes distintos que resultaram em três condenações foi ontem condenado a 9 anos de prisão. O cúmulo jurídico foi ontem confirmado por um Tribunal Colectivo pela prática de crimes de furtos qualificados e roubos agravados. A audiência, como sempre acontece nestes casos, decorreu na sala de audiências dos julgamentos colectivos do Tribunal Judicial de Ponta Delgada.
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