Maioria dos deputados votou contra a despenalização da eutanásia

Fora a votação, ontem, após debate na Assembleia da República, os Projectos-lei dos partidos PS, Bloco, PAN e PEV, que visavam a aprovação da despenalização e regulamentação da morte medicamente assistida em Portugal. A maioria dos 229 deputados que votaram, um a um, decidiu contra a eutanásia. O Projecto-lei do Partido Socialista foi o que esteve mais perto de ser aprovado, com 110 votos a favor, 115 contra e 4 abstenções. Ou seja esteve a cinco votos de conseguir que a eutánásia passasse a ser legal em Portugal. Na votação, os deputados do partido Socialista à Assembleia da República- Carlos César, Lara Martinho e João Castro votaram a favor, enquanto que, pelo PSD, Berta Cabral absteve-se e António Ventura voto contra. Os Projecto-lei BE e PEV contaram com 104 a favor,117 conta e 8 abstenções e o Projecto-lei do PAN obteve 102 votos a favor, 116 contra e 11 abstenções. Os dois partidos que detêm a maioria dos deputados na assembleia PS e PSD, que somam 175 dos 230 parlamentares, deram liberdade de voto aos seus deputados. Já o CDS-PP e PCP foram os únicos partidos que anunciaram previamente o voto contra. Durante os trabalhos decorridos na Assembleia da República, teve lugar uma manifestação, intitulada “Não mates, cuida”, convocada pelo movimento Toda a Vida tem Dignidade, que juntou centenas de pessoas junto às escadarias do Parlamento, num derradeiro apelo aos deputados para que chumbassem os quatro projectos de despenalização da eutanásia, o que acabou por acontecer. Após conhecido o resultado das votações, o cardeal patriarca de Lisboa, D. Manuel Clemente, felicitou a decisão da Assembleia da República de chumbar a legalização a eutanásia. D. António Marto, bispo de Leiria-Fátima, também reagiu ao chumbo dos projectos de despenalização da eutanásia, no Parlamento. O cardeal nomeado pelo Papa acredita que os deputados votaram de forma “sensata” sobre um tema “tão delicado e complexo que vai para além de ideologias partidárias”. Quem também já mostrou a sua satisfação com o resultado desta votação, foi a líder do CDS-PP. “Não só tínhamos oposição de fundo a estes projectos, como objecções políticas porque esta não era a legislatura com mandato” para decidir sobre este assunto, sustentou Assunção Cristas. O PCP também mostrou a sua satisfação por os projectos terem sido chumbados.
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Autor: J.C.

Categorias: Regional

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