Empresa Atlânticoline insiste na urgência de uma revisão do Acordo de Empresa

No seguimento da falta de entendimento entre a Atlânticoline e o Sindicato dos Trabalhadores da Marinha Mercante, Agências de Viagem, Transitário e Pesca (SIMAMEVIP), a transportadora açoriana irá recorrer à Conciliação dos Serviços da Direcção Regional do Emprego e Qualificação Profissional, para a revisão do Acordo de Empresa, caso nos próximos oito dias não seja possível chegar a um acordo com a entidade sindical. De acordo com o comunicado emitido pela Atlânticoline, esta é uma “decisão de último recurso”, uma vez que falharam todas as anteriores tentativas de negociação. Na base desta revisão, aponta a empresa, está a necessidade da actualização “daquela que é hoje a realidade da empresa”, com vista à criação de uma “perspectiva de carreira, indexada a um sistema de avaliação de desempenho”, já que o corrente acordo vigente tem dez anos de existência. Em causa está ainda o aumento constante do nível das exigências financeiras feito pelo referido sindicato, que não aceitou o sistema de progressão de carreiras quando proposto pela transportadora marítima açoriana que, por seu turno, afirma ter tido sempre uma “total abertura para a definição do modelo de avaliação a aplicar, não abrindo mão, todavia, de premiar o mérito, através da progressão na carreira”. No entanto, de acordo com o comunicado da Atlânticoline, e contrariamente às afirmações do representante sindical do SIMAMEVIP, “não é verdade que há dez anos não hajam aumentos”, adiantando que na categoria de Marinheiro, “basta comparar um recibo de vencimento de 2008 com um recibo de vencimento de 2017, exactamente com os mesmos parcelares e idênticas quantidades – ou seja exactamente as mesmas funções, nas mesmas condições e com a mesma carga horária, para verificar que houve um aumento efectivo de cerca de 55%” No mesmo sentido, a Atlânticoline comunica que “em termos médios, em 2017, cada marinheiro realizou diariamente cerca de 1,2 horas diárias de trabalho suplementar, ou seja, menos de 300 horas anuais de trabalho suplementar”, apontando que “a empresa sempre se mostrou disponível para reduzir a carga anual, através da contratação de mais Marinheiros”, uma situação que, relata, “não foi aceite pelo sindicato com a justificação da necessidade de manter o nível de rendimento desta categoria profissional”. No que diz respeito ao período de greve cumprido entre os dias 20 e 23 de Maio, coincidindo com as festividades do Espírito Santo, a Atlânticoline adianta ter transportado 5.032 passageiros na operação regular entre as ilhas do Triângulo, menos 1.823 passageiros do que os registados no ano passado, sendo esta uma quebra de 26,6%. Deste modo, e tendo em conta os serviços mínimos definidos, o comunicado da transportadora adianta também ter, “em termos globais, respondido à procura nas viagens realizadas”, oferecendo um total de 10.244 lugares nas viagens da operação regular entre as ilhas do Triângulo, traduzindo-se numa taxa de ocupação média de 49%, afirmando ainda que também se verificaram situações em que a lotação do navio foi atingida, “tendo os clientes interessados em adquirir bilhetes posteriormente sido encaminhados para outras viagens, sempre no próprio dia”.
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