Produção de energia renovável pode atingir os 76% do consumo em São Miguel com um projecto de armazenamento e regulação

A ilha de São Miguel está a ser abastecida em 51% por energia renovável (geotermia e eólica) e, com os projectos que estão em curso de aumento da produção geotérmica, o abastecimento vai atingir os 67%. Isto sem contar com a produção da central de valorização energética de resíduos que, a ir por diante, acresce em 9% a produção de energia renovável, que poderá chegar aos 76% da electricidade consumida na ilha. Este crescimento da energia renovável em São Miguel vai ser proporcionado por projectos que estão em desenvolvimento, designadamente, o de expansão da central geotérmica do Pico Vermelho em mais 5 megawatts e a saturação em mais três megawatts de energia geotérmica. Para tal, “é necessário fazer uma campanha de poços profundos e desenvolver, também, um projecto de armazenagem que também terá a função de fazer regulação primaria…” O anúncio foi feito pelo responsável pela EDA Renováveis, Carlos Bicudo, à margem de uma intervenção que proferiu ontem, num debate promovido a propósito do Dia Mundial da Energia, em que traçou um “panorama das energias renováveis nos Açores’. Carlos Bicudo deixou claro que, com o desenvolvimento de todos os projectos em curso e que estão planeados, a produção de energia renovável nos Açores vai passar de 37% para 53%, o que, combinado com a valorização energética de resíduos, pelo seu carácter endógeno, a produção de energia renovável elevar-se-á aos 61%, “o que é bastante bom”. O responsável pela EDA Renováveis realçou a importância de os Açores reduzirem a sua dependência dos combustíveis fósseis e sublinhou a “necessidade” da Região aumentar a sua autonomia energética, “contribuirmos, em termos ambientais, para a redução das emissões de gases. Há que reduzir o uso dos combustíveis fósseis e descarbonizar, o que se consegue, entre outras medidas, através do uso das energias renováveis. Ou seja, aumentar a penetração e produção das energias renováveis e também actuar pela eficiência energética”, que foram os objectivos centrais da Feira Regional da Eficiência Energética 2018, tal como a reconversão e substituindo dos usos tradicionais de combustíveis fósseis, por electricidade, como é o caso dos carros eléctricos. Ao longo da sua intervenção no debate sobre energias renováveis, Carlos Bicudo procurou fazer a caracterização dos três sistemas electroprodutores de São Miguel, Terceira e Flores, enquanto “casos de destaque”. No caso da Terceira, a contribuição das energias renováveis “representa à volta dos 22% do consumo de electricidade da ilha mais os 6% de produção da central de valorização de resíduos. Na Terceira, está programada a expansão da central geotérmica em mais 7 megawatts, aproximando o seu total de produção para os 10 megawatts, o que “combinado com a produção eólica dará um contributo bastante apreciável” para a produção total de energia renovável. Está também programado para a Terceira o desenvolvimento de um sistema de armazenagem de energia e de regulação da rede. “Também está pensado, o desenvolvimento, por um privado, de um parque fotovoltaico”. No caso das Flores, a contribuição das energias renováveis é a volta de 50%, maioritariamente hídrica, que tem uma quota de 45%. Nas Flores, está em curso um projecto da central hídrica da Ribeira Grande, com a potência instalada de 5 megawatts. O que combinado com a energia hídrica elevará os tais 50% para 87% de produção de energia renovável.
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