Sporting foi a casa de Emanuel Costa em Rabo de Peixe e levou-o para treinar na Academia

Emanuel Costa, jogador açoriano que renovou pelo Clube Desportivo de Rabo de Peixe para a próxima época, foi muito cobiçado pelos grandes clubes como o Benfica e o Sporting, tendo a sua passagem pela Academia de Alcochete feito com que tenha ganho muita experiência, considerando, no entanto, que poderia ter feito mais e melhor. No entanto, de todos os clubes por onde passou, fala com especial carinho do Vitória do Pico da Pedra e do Desportivo de Rabo de Peixe que constituem duas referências importantes para a sua vida. Este ribeira-grandense diz que vive muito o futebol. É mesmo de opinião de que o futebol muda a forma de ver e encarar as situações, pois as suas regras levam-se para a nossa vida. Por outro lado, Emanuel Costa considera que o futebol é um desporto onde tem de haver a preocupação do conjunto e não ser-se egoísta, nem individualista. Correio dos Açores - Desde muito novo começaste no mundo do futebol. Onde aprendeste a jogar e a gostar do futebol? Emanuel Costa - Aprendi a jogar futebol com meu pai e o meu irmão, na frente da minha porta, em que o meu pai pegava em nós e metia-nos a jogar contra ele. Desde então foi crescendo o amor pelo futebol. Sente-se magia nos teus pés. Tal é fruto de muito treino ou é uma aptidão inata? Há coisas que nascem em nós, mas o treino e a idade fazem com que nós sejamos melhores. De S. Miguel para o Benfica. O que aconteceu? O Benfica andava muito interessado em mim na altura, mas como sempre fui um rapaz tímido e com medo, nunca conseguia ir lá, mas de repente apareceu o Sporting, vieram ter comigo à minha casa e levaram-me a Lisboa, mais concretamente para a famosa Academia. Consideras positivo a tua passagem pelo Sporting? Sem dúvida. A experiência no Sporting fez-me ver muita coisa. Hoje em dia, sinto que podia ter feito mais e melhor. Já passaste por alguns clubes. Que foi o que mais marcou a tua carreira de jogador de futebol? Todos os clubes por onde passamos nos marcam, mas com certeza o Vitória do Pico da Pedra e o Desportivo de Rabo de Peixe constituem duas referências importantes para a minha vida no mundo do futebol. Porque optaste nas últimas épocas pelo Desportivo de Rabo de Peixe? Os dirigentes e massa associativa do Desportivo de Rabo de Peixe acreditaram sempre em mim, desde do dia em que assinei por este grande clube. Foi a temporada com mais jogos no CDRP e com um fim feliz. Como te sentes depois de uma época atribulada? Estes 2 anos foram difíceis para o Clube e para todos os atletas, porque nós não temos campo de futebol, por ter sido vendido à Cofaco e a Câmara Municipal vai construir um novo recinto. Esta situação tornou-se muito complicada para todos, porque treinamos durante todo ano em metade de um campo, e para quem tem objectivos como é o caso do Clube Desportivo de Rabo de Peixe, esta é muito complicado. Qual foi a sensação de ganhar a Taça de S. Miguel contra o Operário? A conquista da Taça de S. Miguel foi um momento mágico na minha carreira no futebol e que eu nunca irei esquecer, porque nunca tinha ganho nenhum troféu no futebol, a não ser no escalão de benjamins. Foi uma sensação de uma enorme felicidade que não se consegue bem explicar, porque todos os atletas deixaram dentro do campo um sinal claro que dentro das quatro linhas todos os resultados são possíveis. Foi uma espécie da luta entre a criança e Golias, em que a criança venceu o gigante. És um atleta muito conhecido e uma peça importante no futebol açoriano. Sentes pressão nos jogos para contribuir para o sucesso da tua equipa? Eu sempre fui um jogador de equipa e não um jogador individual, acho importante valorizar a equipa e não o Emanuel. Por isso, o meu foco é, ao entrar em campo, ajudar a equipa a ter bons resultados. Porque optaste pela carreira de atleta de futebol? Optar pelo futebol é ter amor e paixão por isto, pois quem não tem paixão pelo desporto-rei nunca pode ser jogador. Desde criança que o futebol me entusiasma de tal forma que a minha vida gira à volta do futebol. Com o teu talento como jogador, qual a posição dentro do campo em que te sentes mais confortável? Qual a tua principal “arma” dentro do campo? Eu sempre gostei de jogar de trás para frente, mas sou um jogador muito polivalente, pelo que jogo em todo lado que o treinador precisar. Não há armas no futebol, se o jogo for colectivo as individualidades vão aparecer no momento certo. És considerado um jogador disponível, competitivo e com paixão pelo jogo. Qual foi o lance que mais te marcou na tua carreira? É difícil dizer qual o lance que me marcou mais porque foram vários. No entanto, posso-lhe dizer que foi num jogo contra o Operário, quando eu era juvenil do Pico da Pedra e estávamos a perder por 3-0. Empatamos o jogo com 3 golos meus de livres directos. Foi uma daquelas partidas que nunca mais esquecemos na vida. Em que medida o futebol marcou o teu modo de viver e encarar a vida? Eu vivo muito o futebol e o seguramente que futebol muda a nossa forma de ver e encarar as situações. As regras do futebol que aprendemos dentro e fora do campo, nós levamos para a nossa vida e é um desporto onde tem de haver a preocupação do conjunto e não sermos egoístas e individualistas e isto é muito importante para o dia a dia. Como vês a participação de vários jogadores açorianos em equipas nacionais? Há que valorizar mais o jogador açoriano, porque temos jogadores com muitas qualidades, olham o nosso Clemente a fazer golos que consola a ver. O que falta o futebol açoriano para competir com os grandes a nível nacional, como a Madeira? Felizmente, o Santa Clara acaba de dar o salto que há muito tempo aguardávamos, mas faltam muitos apoios acima de tudo. A Madeira teve 3 equipas há 2 anos na primeira liga e nós não tivemos nenhuma já há anos e isso faz toda a diferença. Agora, que no próximo campeonato, vamos ter uma equipa açoriana na primeira liga eu estou em crer que a situação será mais favorável para as equipas dos Açores. Aproveito para agradecer esta entrevista, referindo aqui o facto do Jaime Vieira e do Artur Gonçalves, do Clube Desportivo de Rabo de Peixe, serem pessoas importantes na minha vida porque me têm ajudado muito.
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