Trabalhadores da Segurança Social em Ponta Delgada queixam-se de excesso de trabalho, de agressões e pedem reforço da segurança no local

Um grupo de trabalhadores do Instituto da Segurança Social do centro de Ponta Delgada queixam-se das condições de trabalho e do ambiente que se vive no sector do atendimento aos utentes, quer seja para quem faz o atendimento directo à população, bem como para as assistentes sociais que têm de receber os utentes. Tanto ao nível do trabalho, que é excessivo, como ao nível de pressão extremada que é feita por alguns utentes, os trabalhadores garantem que por diversas razões, já expostas à tutela (Secretaria Regional da Solidariedade Social) o clima que se vive no serviço tem afectado muito a saúde daqueles que ali prestam serviço. Há um grande número de trabalhadores de baixa, muitos que já o estão há mais de sete e oito meses, e os mais novos sentem-se cansados. Maria (nome fictício e identificada perante a nossa redacção), não quer expor a sua identidade publicamente por “temer represálias no trabalho e na sociedade” mas em declarações ao Correio dos Açores assume – depois de uma carta que o grupo nos fez chegar à redacção - que os técnicos dos quadros do Instituto de Segurança Social de Ponta Delgada “estão doentes” e que estão sem forças para dar respostas às inúmeras solicitações que têm diariamente. O trabalho é excessivo, “é claro”, mas pior que isso, porque “ninguém baixa os braços e trabalha o melhor que sabe o pode”, são as constantes ameaças verbais e físicas de que são alvo por parte dos utentes todos os dias. Resumindo, os trabalhadores sentem “uma imensa revolta, desânimo e desgaste” porque ninguém lhes dá apoio. “Temos excesso de trabalho, somos ameaçados e agredidos verbalmente e fisicamente pelos utentes. O último caso passou-se há quinze dias. Quanto às chefias “dão sempre razão aos utentes colocando em causa a postura dos trabalhadores”. Segundo os trabalhadores, as chefias não os defendem quando “apenas cumprimos as regras e os critérios definidos na lei”, o que as maioria dos utentes não entende. No que respeita aos casos de agressão física “não temos retaguarda. Falta segurança”. Assumem que a situação foi reportada à Secretária Regional, incluindo a situação de uma jovem trabalhadora, cujo desfecho foi trágico, que embora tivesse problemas entendem que devia ter sido mais apoiada pelos serviços”, mas aqui a Secretaria Regional da Solidariedade ouvida pelo nosso jornal “por uma questão de respeito à sua memória e à sua família, o mesmo não merecerá qualquer reacção por parte desta Secretaria, a qual entende tratar-se de uma situação privada e, por conseguinte, sigilosa”. Contudo, os trabalhadores acreditam que a situação de desgaste não chega na sua totalidade à governante e que eventualmente “possa ser filtrada”. Pedem apoio, mas “apesar das reuniões que temos tido com Senhora Secretária Andreia Cardoso, que é bastante compreensiva, o problema continua”. Na reacção, a Secretaria Regional da Solidariedade Social recorda que o Instituto da Segurança Social dos Açores conta, actualmente, com mais de 500 funcionários no conjunto das nove ilhas da Região e que “o reporte de situações de maior desgaste não se trata de uma situação generalizada”, admitindo que esta é uma situação “confinada a uma área em particular, designadamente situações apresentadas por parte dos trabalhadores da área da Acção Social afectos ao centro de Ponta Delgada”. E a tutela lembra que “está cientificamente comprovado que os trabalhadores que desempenham funções desta natureza são particularmente afectados pelo chamado Síndroma de Burnout [estado de exaustão física, emocional ou mental que surge geralmente devido ao acumular de stress no trabalho, sendo, por isso, muito comum em profissionais que têm que lidar com pressão e responsabilidade constante]. Para a tutela, “atendendo a que o público acompanhado nesta área, e neste centro urbano em particular, apresenta, na sua maioria, comportamentos problemáticos - decorrentes de hábitos de consumo de estupefacientes ou álcool, prática de actos ilícitos, posturas sociais marginais muitas vezes desafiantes e até mesmo agressivas – o trabalho com estes utentes implica, naturalmente, especial resistência psicológica e emocional, assim como grande assertividade, ambas condições frequentemente abaladas pela exposição repetida a estes comportamentos”. “Perante as exposições por parte dos técnicos de Acção Social afectos a esta área”, é entender da Secretaria Regional da Solidariedade Social, que “o Instituto da Segurança Social tem tentado, em todos os momentos, ir ao encontro das necessidades manifestadas, nomeadamente, procurando acautelar aspectos como a sua segurança, formação, alternância de locais de trabalho ou reorganização dos serviços, entre outras medidas já tomadas e a implementar. Estamos, portanto, perante um trabalho contínuo, que se verifica em qualquer organização, não sendo exclusivo do Instituto da Segurança Social dos Açores”. Face ao retrato feito pelos trabalhadores, diz a tutela, “pese embora a situação apresentada pelos trabalhadores não seja, de modo algum, alheia ao Conselho Directivo deste instituto, será, porventura, abusivo alegar que não são tomadas as devidas providências no sentido da defesa dos seus funcionários, sendo esta afirmação, talvez, motivada pelo cansaço que, conforme já reconhecemos, manifestam face às suas funções.” Do mesmo modo, diz a Secretaria à responsabilidade de Andreia Cardoso, ser “ incorrecta a afirmação de que a tutela desconhece ou não acompanha estas situações – a Secretaria Regional da Solidariedade Social está, como sempre esteve, disponível para ouvir e assistir todo e qualquer funcionário dos serviços que funcionem na sua dependência”.
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