25 de maio de 2018

A pobreza e o Inferno!

1. A pobreza é sempre um tema aliciante, capaz de suscitar animosidades, ideologias, discrepâncias, projetos e sonhos, teorias e teses, estudos aturados e requentados, alicerçados em estatísticas do mais ou do menos! O Evangelho diz que pobres sempre existirão, e é uma pura verdade, mas isto não vale para aqueles que julgam que dando uma moeda ou um copo de sumo terão ficado com a consciência tranquila! Puro engano! Esta é a teoria do comodismo, do faz de conta, do Rosário entre mãos, do descanso eterno! A questão da pobreza é complexa porque à sua volta giram os verdadeiros pobres, que fazem das tripas coração, que só comem pão com qualquer ajuda, que choram porque lhes falta dinheiro para a luz e para o remédio do filho mais novo! Do casal que está desempregado e que o subsídio não dá para as despesas do mês e muito menos para pagar a despesa do filho que estuda na Universidade! Para não falar naquela família que ainda não tem casa de banho a funcionar ou que lhes chove em cima da cama! Um inferno! Ou então daquela idosa que está só e abandonada, ou porque não tem família ou então porque os filhos emigraram à procura de melhor futuro! Esta é a pobreza número um mais aquela que espelham as Santas Casas e outras Instituições que são apenas de solidariedade social. O resto são desabafos! 2 . O governo tem feito o que pode e, sem o seu apoio, a situação seria cem vezes pior! A família tem aqui grande responsabilidade e não se pode empurrar tudo para o governo! Porque há famílias que têm televisão, e muito bem, ou têm outra no quarto de dormir para as novelas, têm vídeo e jogos para os mais novos, tabletes e telemóveis para cada um! Há ainda a desgraça das tabernas em dias de vendaval e os pozinhos à venda por aí! Que também se juntam às chagas da sociedade atual. A este propósito o CAçores publicou na edição do Correio Económico um painel sobre a pobreza baseando -se num estudo do professor universitário, Fernando Diogo. Curiosas as posições dos ilustres intervenientes que, deixando sempre uma palavra de preocupação, enveredam por caminhos diversos para chegar ao cerne da questão! O mais direto e frontal (e realista), a meu ver, foi o diretor do Jornal, Américo Natalino de Viveiros (seguido de Osvaldo Cabral) que aponta a escolaridade como ponto fulcral para este “problema endémico da sociedade “. Carlos César refere-se a um sistema educativo mais abrangente, enquanto que Gualter Furtado é de opinião que sem educação e outros ingredientes a pobreza irá perpetuar-se! Osvaldo Cabral, diretor do Diário dos Açores, lamenta que em vez de se apostar na Educação, que ele considera , como eu , que é a base de todo o combate à pobreza , “ deixa-se fechar serviços essenciais para os idosos ou construir obras megalómanas “ e sem tarelo , como se vêem por aí ! Por culpa de muitos e não só dos governantes! 3 . Como se depreende a questão central da pobreza está precisamente na Educação, o grande alicerce da sociedade, a base de todo o desenvolvimento, que começa em casa, ou seja, na família, onde tudo nasce e desabrocha, depois na creche, no ensino pré-escolar, depois nos currículos que vão até à Universidade, com realce para o ensino profissional, que carece de maior apoio, alargamento, desafogo e qualificação. Sem investimento forte e corajoso neste edifício de construção da sociedade, nada feito, porque não se encontrarão melhores soluções para enfrentar a pobreza, a não ser analgésicos, balões de soro, pomadas de reação lenta! Para que o Portugal do futuro não torne a viver os tristes episódios do futebol, agora verde, mas que amanhã pode ser azul ou vermelho! Para que os cidadãos conscientes e responsáveis tenham um comportamento digno e construtivo, não se alimentem apenas da intriga, nem vejam nas novelas um grau aliciante de felicidade! E que não vejam nas redes sociais o esgoto de todos os recalcamentos, dissabores e diabrites! Mas que venham ao de cima, com fulgor e vitalidade, os valores mais nobres que herdamos dos nossos avós, homens de uma só palavra e de um só querer! Em véspera do Dia dos Açores 2018
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Categorias: Opinião

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