Unidade de Saúde de São Miguel tem equipamento de ‘Prova de Função Pulmonar’ sem ser usado há três anos

Os Açores foram, em 2016, a Região do país onde se registaram proporções mais elevadas de morte por tumor maligno da traqueia, brônquios e pulmão (6,1%) e foi também onde se verificou a taxa bruta de mortalidade mais elevada (60,3 óbitos por 100 mil habitantes) de entre as regiões portuguesas devido a este tumor. O Baixo Alentejo é a segunda região do país com a taxa bruta de mortalidade por tumor maligno da traqueia, brônquios e pulmão mais elevada (52,7 óbitos por 100 mil habitantes). E foi a Região de Leiria que teve a taxa bruta de mortalidade mais baixa devido a este tumor (22,5 óbitos por 100 mil habitantes). Tanto os Açores (60,3); como o Baixo Alentejo (52,7) apresentaram taxas brutas de mortalidade devido ao tumor maligno da traqueia, brônquios e pulmão acima da média nacional (39,6 óbitos por 100 mil habitantes). Uma das principais causas provadas que provocam este tumor da traqueia, brônquios e pulmão é o tabaco e os Açores são a região do país com uma das maiores incidências de fumadores por 100 mil habitantes, apesar de todos os alertas para os malefícios deste vício. Os Açores foram, igualmente, em 2016, a Região do país que registou a proporção mais elevada de mortes por doença pulmonar obstrutiva crónica (4,2%) e a região da Lezíria do Tejo a mais baixa (1,6%). Apesar de estas estatísticas serem, sobremaneira, preocupantes, o facto é que há três anos que não funciona um equipamento oferecido à Unidade de Saúde de São Miguel para fazer exames base de espirometria, também conhecido como ‘Prova de Função Pulmonar’. Quando o equipamento foi oferecido à Unidade de Saúde de São Miguel ainda funcionou cerca de três anos com um técnico que se deslocava a praticamente todos os concelhos de São Miguel para fazer exames a doenças com doença do aparelho respiratório. Contudo, o técnico deixou a Unidade de Saúde de São Miguel e o equipamento ficou ‘arrumado na gaveta’. A Unidade de Saúde terá feito um primeiro concurso público para admissão de um novo técnico mas, a partir de então, o equipamento nunca mais funcionou. Médicos especialistas contactados pelo ‘Correio dos Açores’ referem que os utentes com doenças respiratórios devem fazer o exame de espirometria uma a duas vezes por ano e consideram que um “absurdo” que tal exame não possa ser realizado em São Miguel quando é feito em ilhas, por exemplo, como Santa Maria São Jorge e Terceira. Segundo os especialistas, o Serviço Regional de Saúde nem pode alegar que este exame é caro até porque é, garantidamente, mais barato, por exemplo, que um TAC e que um electrocardiograma. E o facto é que os médicos podem pedir em São Miguel que se o serviço público faça um TAC ou um electrocardiograma a um doente e não pode solicitar um exame de espirometria, apesar de o equipamento ter sido oferecido à Unidade de Saúde de São Miguel. Os especialistas em doenças respiratórias já alertaram há muito tempo a Secretária Regional da Saúde para este “absurdo” mas o facto é que, segundo as informações colhidas pelo ‘Correio dos Açores’, nada têm adiantado com as suas diligências. Ao fim-de-tarde de ontem, o serviço de assessoria de Imprensa da Unidade de Saúde de São Miguel explicou ao ‘Correio dos Açores’ que tem o técnico de diagnóstico e terapêutica afecto aos electrocardiogramas e pelo que julga saber tem a decorrer concurso público para uma vaga de mais um técnico de diagnóstico e terapêutica para ficar afecto aos “tão importantes” exames de espirometria também conhecidos por ‘Prova de Função Pulmonar’.
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