Inovation Green Azores está à espera de financiamento para adquirir máquina para produzir utilitários em conteira

O projecto da Inovation Green Azores já existe há alguns anos e tem vindo a concentrar-se em construir protótipos e perceber se a folha de conteira poderia ser utilizada para fazer papel, para revestimento isolante ou para servir como matéria-prima para pratos, tabuleiros de carne, etc. A Universidade dos Açores tem vindo a avaliar as propriedades físicas e químicas, e as questões da impermeabilidade, da resistência e das características dos materiais. Para já a Inovation Green Azores tem vindo a produzir pratos, tabuleiros, travessas, copos de uso único, bem como placas identificativas de participantes em workshops e congressos. E os interessados são muitos “quer aqui nos Açores quer no continente”, explica Maria João Pereira, professora auxiliar da Universidade dos Açores que integra a empresa. No entanto, “o facto de não haver ainda uma indústria, um processo produtivo, faz com que as ofertas sejam simbólicas como exemplo de sustentabilidade”, explica. É por isso que o projecto, promovido pela Cooperativa União Agrícola em parceria com a empresa, está neste momento à procura de financiamento para adquirir maquinaria necessária para produzir os referidos protótipos “em quantidades que permitam satisfazer encomendas”. A candidatura do projecto já foi submetida no âmbito do Açores 2020, e está já em fase de apreciação. “Precisamos apenas de maquinaria e também de melhorar depois o design dos objectos. Produzir objectos mais apelativos em termos de design e ter a capacidade de fornecer em quantidade”, porque os interessados existem e “já foram satisfeitas algumas encomendas, em termos de congressos, de encontros de confrarias, mas sempre em quantidades limitadas porque falta o processo produtivo”. O objectivo é a instalação de uma unidade produtiva deste tipo de produtos e a sua comercialização nos Açores. Maria João Pereira afirma que uma unidade produtiva “é viável” na Região, exactamente porque há procura. A maquinaria custará cerca de 100 mil euros, mas é algo inovador ainda e está actualmente a ser ainda desenhada, “não é pré-existente, nem adaptada a este processo produtivo, mas futuramente e se a legislação caminhar nesse sentido de limitar o uso de plástico, acredito que serão as próprias empresas de plástico que vão investir em processos produtivos alternativos para substituir o que têm vindo a comercializar”. Além disso, há também a vantagem de os produtos criados com a folha de conteira serem de uso único e posteriormente poderem ser incorporados na compostagem, na parte dos secos. Aqui também há uma vertente ambiental significativa e Maria João Pereira explica que “o mais importante, é que tudo o que é plástico acaba por ir parar ao mar, degradar-se, transformar-se em micro-plásticos e mais tarde vir a fazer parte da nossa cadeia alimentar. Acho que é uma oportunidade”, explica. Matéria-prima não falta É que o projecto utiliza a folha da conteira e tem como objectivo “por um lado reduzir o consumo de objectos descartáveis de plástico e papel e por outro tornar menos onerosos os custos de limpeza dos terrenos”. Isto porque a conteira é uma planta invasora e como tal tem grandes custos de limpeza. “Com esta planta, quer como no continente em que se dá muita ênfase às limpezas das matas, tudo o que implica limpar os terrenos gera grandes quantidades de resíduos e a utilização desses resíduos permite reduzir os custos de manutenção e ao mesmo tempo reduzir o impacte ambiental que resulta da utilização do plástico”, explica Maria João Pereira. Mas também poderá usar-se outra matéria-prima. “No caso dos Açores, e noutros arquipélagos onde a planta é invasora, usaremos esta planta. Mas noutros locais, e refiro-me concretamente no continente agora com os incêndios e com a necessidade de limpeza de matas, o tipo de biomassa que é extraído é outro, mas a essência, o que é inovação, é o processo”, avança Maria João Pereira que acrescenta que “utilizar resíduos de limpeza de terrenos para produzir objectos descartáveis, substituindo o plástico, o papel, porque se pensarmos que estamos a fazer papel com biomassa de limpezas, estamos a libertar superfície agrícola útil que em vez de ter o eucalipto para a produção de pasta papel terá outra cultura. Estaremos a libertar superfície agrícola útil para produzir alimentos”. Interesse económico e político Mas por enquanto a Inovation Green Azores apenas tem vindo a desenvolver protótipos e falta o investimento para produzir os objectos. Mas Maria João Pereira reflecte que “talvez ao nível da legislação se pudesse incentivar o uso de objectos que podem ser utilizados mais tarde na compostagem”. Até lá aponta os interesses ao nível económico e político de se avançar com este projecto que utiliza plantas como substitutos de objectos plásticos descartáveis. É que, a nível económico, “os Açores têm interesse em se tornar um destino de excelência para o turismo do ambiente e o turismo sustentável e isto é incompatível quer com o lixo que é produzido nos concertos e festas religiosas dos Açores e com a imagem dos plásticos abandonados nas praias, nos trilhos e miradouros que ficam visíveis por décadas, ou são arrastados pelo vento e pela chuva para o mar”. Por outro lado, se os Açores forem “uma região pioneira na utilização em larga escala de recipientes e embalagens 100% biodegradáveis (através da compostagem) estamos na prática a preservar os nossos solos e temos um argumento de peso e a curto prazo para influenciar o Turismo do Ambiente”. Além disso são criadas novas actividades económicas na Região, relacionadas com a obtenção e transformação da matéria-prima e com a criação de peças com design funcional e atraente, inovando em relação a actividades económicas existentes. Já ao nível político “estaremos a criar condições para atingir a meta da Comissão Europeia que visa acabar em 2030 com as embalagens de plástico descartáveis” em todos os países da União Europeia.
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Autor: C.D.

Categorias: Regional

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