Cerca de meio milhar de jovens açor-americanos estão identificados para serem deportados se a lei dos indocumentados de Trump avançar

Cerca de meio milhar de jovens luso-americanos e suas famílias, a maioria das quais de origem açoriana, estão identificados pela Administração de Donald Trump como emigrantes indocumentados, por terem aderido ao programa DACA, criado pela administração Obama para proteger indocumentados que estudam ou estudaram em universidades norte-americanas e que hoje são profissionais de sucesso e estão bem integrados na sociedade americana, soube o Correio dos Açores. “A maior parte dos jovens que aderiram ao programa DACA entraram nos Estados Unidos quando crianças levados ilegalmente pelos pais. Significa que estas famílias estão também expostas. O programa permitia a estes jovens trabalharem legalmente enquanto decorria o processo de legalização e fechavam os olhos à situação das famílias. Mas tudo isto pode mudar rapidamente com a Administração Trump”, revelam as mesmas fontes de informação. O programa foi suspenso pelo Presidente Donald Trump e os jovens que se inscreveram no programa DACA e continuam indocumentados correm o risco de ser agora deportados, tal como suas famílias. O Presidente Donald Trump suspendeu o programa, mas os democratas conseguiram manter o DACA “em limbo”. Por enquanto, o programa mantém as garantias aos jovens indocumentados e suas famílias mas, segundo os mesmos informadores, “a situação é muito incerta porque o processo não avançou nem recuou e está em aberto”. “Criou-se uma situação instável para as pessoas abrangidas o que resulta num estado de ansiedade existencial intolerável”, completaram os informadores do Correio dos Açores”, completam os nossos informadores. Se estes 500 jovens luso-americanos, a maioria dos quais de ascendência açoriana, estão identificados pela Administração Trump como indocumentados, existem muitos outros que foram para casa de seus familiares e trabalham, sem documentação, em áreas ligadas à construção civil, fábricas, bares e restauração, consoante as suas aptidões. Muitos deles podem ser detidos pela polícia americana em operações de stop. E basta que estejam a conduzir sem carta de condução, para ficarem na “corda bamba” e serem deportados. Assim, se os objectivos de Donald Trump forem por diante, o repatriamento de açor-americanos deixa de ser feito apenas para aqueles que praticam crimes graves nos Estados Unidos e vai estender-se a todos os indocumentados que forem apanhados na rede da polícia liderada por sherifs nos vários Estados norte americanos. Esta pressão da Administração de Trump sobre os indocumentados ainda não constitui grande preocupação nos Açores, mas o número de deportados dos EUA este ano está a crescer em relação a igual período do ano passado. De acordo com os dados fornecidos pela Direcção Regional das Comunidades, tinham sido já deportados dos EUA para os Açores, até ao início deste mês de Março e durante todo o ano de 2017 um total de 20 pessoas. O envolvimento do Xerife Thomas Hodgson O Gabinete do Xerife Thomas Hodgson, do Condado de Bristol em Massachusetts, anunciou que o Departamento havia sido aceite no programa ‘Imigração e Alfândega (ICE) 287 (g)’, iniciando uma era em que a lei local teria permissão para se envolver na imposição da lei de imigração. O Xerife Thomas Hodgson tem uma boa relação com o Governo dos Açores e tem visitado a Região mas, desde a posse do Presidente Donald Trump, tem feito declarações que preocupam as comunidades açor-americanas. Thamas Hogdson disse Quarta-feira passada num debate sobre a imigração promovido pelo Departamento de Justiça da Administração de Trump, em Washington, que, nos Estados Unidos, “as pessoas estão morrendo quase todos os dias às mãos de ilegais”. Esta declaração do Xerife fez manchete em O Jornal e no Standart Times, que se publicam em Massachusetts. Hodgson juntou-se a um painel que apoiou o programa ‘287g’, que, por meio de uma parceria com o ICE, permite que a autoridade policial aplique a imigração em suas jurisdições. “A quantidade de crimes que estão acontecendo, as pessoas estão morrendo quase todos os dias nas mãos de ilegais”, disse Hodgson no debate. O xerife do condado de Bristol não forneceu qualquer evidência ligando o condado de Bristol a essa declaração. No entanto, falou de três mortes associadas a imigrantes ilegais durante um período de dois anos em Milford, que fica no condado de Worcester. Nathalie Asher, Vice-diretora executiva adjunta das Operações de Execução e Remoção do ICE, bem como dois outros xerifes que apóiam o programa do Texas e de Maryland também falaram no painel. Este debate, segundo o ‘Standart Times’, também coincidiu com uma mesa redonda do Califórnia Sanctuary State, organizada pelo Presidente Donald Trump, ao final do dia de Quarta-feira. Trump disse, então, sobre deportações de imigrantes ilegais: “Você não acreditaria em como essas pessoas são ruins. Não são pessoas. São animais”. Em 2017, Natahalie Asher disse que o programa encontrou 25.884 imigrantes vivendo ilegalmente nos Estados Unidos, dos quais 5.996 foram deportados. O programa ‘Imigração e Alfândega (ICE) 287 (g)’ tem sido elogiado pela equipe de transição de Trump, incluindo o Secretário de Estado do Kansas, Kris Kobach que “ajudou vários estados a elaborar leis destinadas a atingir imigrantes indocumentados e forçá-los a se auto-deportar”. Kobach tem defendido a expansão do programa ‘287 (g)’. Embora o programa não esteja em vigor para os policiais locais e, ao invés disso, seja usado exclusivamente em cadeias, segundo a imprensa, nada impede que Trump instrua seu Secretário de Segurança Interna a expandir os seus desígnios. O programa permitiria a Trump expandir facilmente a força de deportação para cumprir sua promessa de campanha de deportar 3 milhões de imigrantes indocumentados. Num comunicado à imprensa, o xerife Thomas M. Hodgson afirmou que o Gabinete do Xerife trabalhará para “proteger a segurança de nossos cidadãos e residentes legais”. Ora, em vez de se concentrar em resolver o crime, o programa ‘287 (g)’ pretende transformar a polícia local num exército de deportação. Embora a Administração Trump afirme que o objectivo do programa “é remover os não-cidadãos que representam uma ameaça à segurança nacional ou a suas comunidades, mais da metade das pessoas capturadas pela rede não foram condenadas por crimes de violência, delitos de drogas ou crimes de propriedade”. Por exemplo, no condado de Davidson, Tennessee, a taxa mais comum dos detidos na rede de arrasto do programa ‘287 (g)’ foi a de “sem carteira de motorista”. No condado de Maricopa, Arizona, do xerife Joe Arpaio, mais da metade das prisões feitas nas detenções foram baseadas apenas em acusações federais de imigração. “Eles não estavam prendendo assassinos ou estripadores. Eles estavam prendendo famílias e crianças, deixando-os apodrecer em cidades de tendas no Verão sufocante do Arizona enquanto aguardavam a deportação”. Segundo a imprensa norte-americana, os ataques do Xerife Arpaio “desviaram recursos do trabalho real da polícia para uma força de deportação politicamente motivada”. O xerife de Milwaukee, David Clarke Jr, que está na lista curta de Trump para a Secretária de Segurança Interna, “há muito tempo tem como alvo imigrantes ilegais e opositores políticos. Numa entrevista à Fox News, o xerife de Milwaukee, David Clarke Jr., considerou os manifestantes que protestavam contra a posição de Trump sobre a imigração de “anarquistas”, “um conglomerado de desajustados” e um “movimento totalitário”. Alguma Imprensa americana refere que o xerife de Bristol County, Thomas Hodgson não é diferente de Arpaio e Clarke e estas notícias estão a preocupar as comunidades açorianas de Massachusetts. Ora, se tal relação for verdadeira, as operações de ‘charme’ ao xerife ‘Thomas Hodgson’ nos Açores, nomeadamente pelas entidades regionais, “caíram em saco roto’.
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Autor: João Paz

Categorias: Regional

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