Professores ensinam alunos na Lagoa como podem contribuir com o seu trabalho para o orçamento familiar

Realizou-se ontem, a 8ª Feira Empreendedora da EBI de Lagoa. Esta feira é organizada, todos os anos, no final do ano lectivo pelo Clube de Empreendedorismo do estabelecimento de ensino e reúne todos os trabalhos que os alunos fazem ao longo do ano. Neste certame podemos encontrar produtos de pastelaria, culinária, artesanato, e até produtos hortícolas. O Clube de Empreendedorismo da Escola Básica e Integrada de Lagoa, coordenado por Maria Lima e Helena Costa, organizou, ontem, a feira de final de ano lectivo. A feira abrange várias escolas pertencentes ao concelho da Lagoa e tem como objectivo principal “fazer com que os alunos, a partir da sua imaginação, consigam perceber que trabalhando por si, podem fazer algo para contribuir para o orçamento familiar. Desde a mais pequena coisa que têm em casa, que ao invés de deitarem ao lixo, podem reciclar, podem dar a volta e depois podem vender. Podem angariar dinheiro com isto e ajudar os pais em casa ou para eles próprios”, disse Maria Lima, uma das coordenadoras do evento. Nesta feira, não se trabalha com euros mas sim com “Empis”. O “Empi”, que equivale a 50 cêntimos, foi a moeda criada para que as crianças e jovens não tivessem que trabalhar com dinheiro. Ao entrar na feira, as pessoas interessadas em fazer compras, têm de trocar os euros por Empis e no final do dia, os pequenos empreendedores podem trocar os “Empis” por euros. Nesta edição, a feira conta com 30 barracas e 6 bancadas sem barraca, mais que no ano passado, que contou com 26 barracas. Este ano, a Câmara Municipal da Lagoa organizou, também, a sua própria barraca, onde as pessoas se podiam dirigir para votar no orçamento participativo do Município. Os pais dos alunos também se envolveram nos projectos, ajudando os filhos, seja confeccionando produtos para vender ou até mesmo ajudando no negócio das barraquinhas, durante o dia do certame. Os elementos do Clube de empreendedorismo organizaram vários pontos de venda, com diversos produtos. É o caso do grupo de Carolina Silva, constituído por alunos do 6º ano de escolaridade, que estavam a vender “Espetadas de gomas, waffles, quadrados de chocolate entre outras doçarias”. O aluna afirmou que o dinheiro arrecadado será para “dividir por todos de forma igual”. Matilde Tavares tem 12 anos, frequenta o 6º ano e também pertence ao Clube de empreendedorismo desde que entrou para a escola. Organizou uma barraquinha, com dois colegas e contou que “ este ano trouxe coisas diferentes. Trouxe café porque pensei que poderia render mais e também trouxe brigadeiros de vários sabores, chocolate, coco e caramelo, queques com nutella e algodão doce”. Mariana Vital tem 11 anos e esteve a vender canecas e cadernos personalizados feitos por ela e pela irmã mais velha. A jovem empreendedora confessa que se inspira em ideias que vê na internet e junto com a irmã, põe-nas em prática. Os seus produtos podiam ser adquiridos pelo preço de 3 e 4 “Empis” e, pelo que referiu, estavam a vender bem. Para além do clube organizador, também outros clubes das escolas do Concelho se associaram a esta iniciativa. É o exemplo do Clube de Francês da Escola Secundária da Lagoa. Este grupo organizou duas barracas diferentes, sendo uma delas, uma barraca de doces. Amélia Ferraz, aluna do 8º ano explicou que a especialidade da barraca são os “crepes com nutella” e escolheram este doce por se trabalhar de um “doce típico francês. Ora, como nós somos um clube de francês, quisemos vender algo que fosse característico de França””, explicou. Este mesmo Clube, organizou, também, uma barraca de hortaliças e o aluno Diogo Amaro, também do 8º ano, explica porque resolveram apostar nestes produtos: “Nós, normalmente, vendíamos doces, mas tentamos apostar nas hortaliças e conseguimos vender muito mais, então, agora em todas as vendas vamos vender algo mais saudável”. O dinheiro ganho nesta barraquinha, reverte para o clube que já tem planeado uma viagem a França que pretendem concretizar no final do 9º ano. Diogo Amaro refere que sabe que não conseguirá, ainda, o montante necessário para a viagem, mas pretende conseguir uma grande parte do dinheiro. A professora de Português e Inglês, Edite Preto, é coordenadora do departamento Português e dinamiza uma barraquinha em conjunto com os Departamentos de Ciências Sociais e Humanas e o Departamento de Línguas Estrangeiras. Nesta barraquinha podemos encontrar o “Bazar da Cultura” onde se podiam comprar rifas para nos habilitarmos a ganhar livros novos a estrear. O dinheiro reverte para aquisição de livros infanto-juvenis para a biblioteca escolar. “Nós costumamos vir todos os anos acompanhar os nossos alunos, mas este ano decidimos juntar os três departamentos e dinamizar uma barraquinha também”, explicou a professora Edite Preto. Quem também teve um espaço para vender os seus trabalhos foram os alunos do grupo ocupacional. Dina Silva é professora de um grupo de sete alunos com variadas necessidades especiais. Estes jovens ajudaram na elaboração de molduras e blocos de notas personalizados, caixinhas decorativas e fizeram a plantação das plantas à venda. O dinheiro angariado nesta barraca reverte para “comprar materiais para trabalharem e principalmente encerrar o ano lectivo no Mc,donalds” disse Dina Silva. Esta foi uma iniciativa que promete voltar no próximo ano e, se possível, com ainda mais alunos envolvidos para que seja incutido nos jovens o sentido de responsabilidade e do trabalho. A feira foi visitada pela Presidente da Câmara da Lagoa, Cristina Calisto que, no final, considerou que o certame representa “uma aprendizagem num contexto real, onde os alunos apresentam os seus produtos elaborados para os comercializarem, num momento de relação e proximidade entre a comunidade escolar e a sociedade, tornando-se, desse modo, pequenos empresários na sua relação com o mundo”.
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