Em sete anos foram avistados 16 mil cetáceos nos mares dos Açores, o que dá uma média de 6 por dia

Um estudo, coordenado por investigadores do cE3c - Centro de Ecologia, Evolução e Alterações Ambientais e da Universidade dos Açores, agora publicado na revista Marine Ecology Progress Series, “avaliou a precisão de diferentes modelos de distribuição geográfica de golfinhos, baleias e outros cetáceos dos Açores”. De acordo com informação disponibilizada pelo Centro de Ecologia, Evolução e Alterações Ambientais – cE3c, da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa., “o estudo só foi possível graças à colaboração com empresas turísticas de observação destes animais no arquipélago açoriano, que durante sete anos recolheram informações sobre os avistamentos nas suas viagens e as submeteram na plataforma MONICET. Mais, adianta a mesma nota, “os cetáceos têm um papel fundamental nos ecossistemas marinhos. Conhecer a sua distribuição geográfica e como esta varia com o tempo é muito importante para identificar áreas de preocupação para populações vulneráveis e desenvolver planos de conservação mais eficazes. No entanto ainda sabemos pouco sobre a distribuição destes animais: não só são muito móveis, respondendo com rapidez a alterações ambientais no oceano, como as campanhas dedicadas ao seu estudo são dispendiosas e limitadas no tempo. Os investigadores têm obtido estimativas de distribuição a partir de modelos computacionais que extrapolam o nicho ecológico de uma espécie a partir dos dados de localização existentes e das variáveis do ambiente. Mas no caso de espécies tão móveis como os cetáceos, que vivem num ambiente tão dinâmico como o oceano, com que intervalo de tempo – dias, semanas, meses – devem as variáveis ambientais ser introduzidas no modelo de forma a que os resultados sejam o mais precisos possível? “A questão em si depende muito da espécie a estudar. Por exemplo: para espécies altamente dinâmicas como a baleia de barbas é muito melhor usar dados semanais. Mas para isso precisamos de uma recolha de dados constante, um grande esforço de amostragem, que neste caso foi obtido graças à colaboração das empresas turísticas de observação de cetáceos”, explica Marc Fernandez Morron, primeiro autor do artigo e investigador do Centro de Ecologia, Evolução e Alterações Ambientais – cE3c e da Universidade dos Açores. “Este estudo só foi possível porque os investigadores puderam recorrer a dados detalhados das dez espécies de cetáceos mais avistadas no arquipélago dos Açores, entre Janeiro de 2009 e Dezembro de 2015”. No total, foram registados mais de 16.000 avistamentos de cetáceos. Por ano, isso perfaz uma média de 2285 avistamentos por ano e cerca de 6 por dia. “Nas suas viagens turísticas – que embora tenham um pico de afluência durante o Verão, ocorrem durante todo o ano – os operadores de observação de cetáceos anotam as espécies que observam, contam animais e registam a sua posição. Estes dados são submetidos na plataforma MONICET - uma base de dados online inaugurada em 2008 e que conta com o apoio do Governo dos Açores – acompanhados de fotografias para identificação das espécies. Todos os dados são validados por especialistas antes de serem disponibilizados onlin”, registam os especialistas. “Na actualidade o MONICET encontra-se numa fase adulta, com dez anos de funcionamento e oito empresas a colaborar. Estamos a trabalhar para que tenha uma maior autonomia, com candidaturas a novos projectos para melhorar e expandir a plataforma para outras áreas. Ao mesmo tempo estamos a trabalhar para demonstrar outras potenciais utilidades dos dados recolhidos pelos nossos colaboradores que possam ser úteis não só para as próprias empresas como também para a gestão e conservação dos cetáceos”, frisa Marc Fernandez Morron, citado no comunicado. O artigo publicado é assinado por Fernandez M, Yesson C, Gannier A, Miler PI and Azevedo JMN (2018) e intitulado “A matter of timing: how temporal scale selection influences cetacean ecological niche modelling”.
Print
Autor: N.C.

Categorias: Regional

Tags:

Theme picker